INTRODUÇÃO
Este documento se organiza em torno de um objetivo central: subsidiar todos os envolvidos no
processo de ensino da Língua Portuguesa (Leitura, Escrita e Comunicação Oral) para sistematizar os conteúdos de ensino mais relevantes a ser garantidos ao longo das quatro séries do Ciclo I do Ensino Fundamental. Outro propósito importante deste documento é contribuir para a reflexão e discussão dos professores com a indicação do que os alunos deverão aprender, progressivamente, durante as quatro séries do Ciclo I.
A definição do que os alunos precisam aprender a cada série, por sua vez, possibilita estabelecer com mais clareza e intencionalidade o que deverá ser ensinado.
Modelo de ensino e aprendizagem
A concepção de aprendizagem que embasa este documento pressupõe que o conhecimento não é concebido como uma cópia do real e assimilado pela relação direta do sujeito com os objetos de conhecimento, mas como produto de uma atividade mental por parte de quem aprende, que organiza e
integra informações e novos conhecimentos aos já existentes, construindo relações entre eles.
O modelo de ensino relacionado a essa concepção de aprendizagem é o da resolução de problemas, que compreende situações em que o aluno, no esforço de realizar a tarefa proposta, precisa pôr em jogo o que sabe para aprender o que não sabe. Neste modelo, o trabalho pedagógico promove a articulação entre a ação do aprendiz, a especificidade de cada conteúdo a ser aprendido e a intervenção didática.
Concepção de alfabetização
O objetivo maior — possibilitar que todos os nossos alunos se tornem leitores e escritores competentes
— nos compromete com a construção de uma escola inclusiva, que promove a aprendizagem dos alunos das camadas mais pobres da população. A condição socioeconômica não pode mais ser encarada pela escola pública como um obstáculo instransponível que, assim, perversamente reproduz
a desigualdade.
É fato que, atualmente, as famílias que compõem a comunidade escolar da rede pública, em sua maioria, não tiveram acesso à cultura escrita. Isso não apenas torna mais complexa a tarefa da escola de ensinar seus filhos a ler e escrever, como também faz dela um dos poucos espaços sociais em que se pode intervir na busca da eqüidade para promover a igualdade de direitos de cidadania. E saber ler e escrever é um direito fundamental do cidadão.
A escola precisa criar o ambiente e propor as situações de práticas sociais de uso da escrita aos quais os alunos não têm acesso para que possam interagir intensamente com textos dos mais variados gêneros, identificar e refletir sobre os seus diferentes usos sociais, produzir textos e, assim, construir as capacidades que lhes permitam participar das situações sociais pautadas pela cultura escrita.
Ler e escrever não se resume a juntar letras, nem a decifrar códigos; a língua não é um código: é um complexo sistema que representa uma identidade cultural. É preciso saber ler e escrever para interagir com essa cultura com autonomia, inclusive para modificá-la, do lugar de quem enuncia, e não
apenas consome.
Ao eleger o que e como ensinar é fundamental levar em consideração esses fatos, não mais para justificar fracassos, mas para criar as condições necessárias para garantir a conquista e a consolidação da aprendizagem da leitura e da escrita de todos os nossos alunos.
Assim, este documento parte do pressuposto de que a alfabetização é a aprendizagem do sistema de escrita e da linguagem escrita em seus diversos usos sociais porque consideramos imprescindível a aprendizagem simultânea dessas duas dimensões. A língua é um sistema discursivo que se organiza no uso e para o uso escrito e falado, sempre de maneira contextualizada. No entanto, uma condição básica para ler e escrever com autonomia é a apropriação
do sistema de escrita, que envolve, da parte dos alunos, aprendizagens muito específicas.
Entre elas, o conhecimento do alfabeto, a forma gráfica das letras, seus nomes e seu valor sonoro. Tanto os saberes sobre o sistema de escrita como aqueles sobre a linguagem escrita devem ser ensinados e sistematizados. Não basta colocar os alunos em frente aos textos para que conheçam
o sistema de escrita alfabético e seu funcionamento ou para que aprendam a linguagem escrita. É
preciso planejar uma diversidade de situações em que possam, em diferentes momentos, centrar
seus esforços ora na aprendizagem do sistema, ora na aprendizagem da linguagem que se usa
para escrever.
O desenvolvimento da competência de ler e escrever não é um processo que se encerra quando o aluno domina o sistema de escrita, mas se prolonga por toda a vida, com a crescente possibilidade de participação nas práticas que envolvem a língua escrita e que se traduz na sua competência de ler e produzir textos dos mais variados gêneros. Quanto mais acesso à cultura escrita, mais possibilidades de construção de conhecimentos sobre a língua. Isto explica o fato de as crianças com menos acesso a essa cultura serem aquelas que mais fracassam no início da escolaridade e, como já dissemos, as que mais necessitam de uma escola que ofereça práticas sociais de leitura e escrita.
A seguir, apresentamos os objetivos gerais, as expectativas de aprendizagem e orientações didáticas para o ensino de Língua Portuguesa e Matemática no Ciclo I e um quadro de avaliação
das aprendizagens.
LÍNGUA PORTUGUESA (Leitura, Escrita e Comunicação Oral)
OBJETIVOS GERAIS DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
(Leitura, Escrita e Comunicação Oral no Ciclo I)
O ensino da Língua nas quatro primeiras séries da escolaridade deve garantir que, no decorrer do Ciclo I, os alunos se tornem capazes de:
• Integrar uma comunidade de leitores, compartilhando diferentes práticas culturais de leitura e
escrita;
• Adequar seu discurso às diferentes situações de comunicação oral, considerando o contexto
e os interlocutores;
• Ler diferentes textos, adequando a modalidade de leitura a diferentes propósitos e às características
dos diversos gêneros;
• Escrever diferentes textos selecionando os gêneros adequados a diferentes situações comunicativas,
intenções e interlocutores.
EXPECTATI VAS DE APRENDIZAGEM
Os alunos, ao final da 1ª série do Ciclo I, deverão ser capazes de:
• Participar de situações de intercâmbio oral que requeiram ouvir com atenção e formular perguntas sobre o tema tratado;
• Planejar sua fala adequando-a a diferentes interlocutores em situações comunicativas do
cotidiano;
• Apreciar textos literários ;
• Recontar histórias conhecidas, recuperando algumas características da linguagem do texto
lido pelo professor;
• Ler, com ajuda do professor, diferentes gêneros (textos narrativos literários, textos instrucionais, textos de divulgação científica e notícias) apoiando-se em conhecimentos sobre o tema
do texto e as características de seu portador, do gênero e do sistema de escrita;
• Ler, por si mesmo, textos conhecidos, tais como parlendas, adivinhas, poemas, canções, travalínguas, além de placas de identificação, listas, manchetes de jornal, legendas, quadrinhos e
rótulos;
• Compreender o funcionamento alfabético do sistema de escrita, ainda que escreva com erros
ortográficos (ausência de marcas de nasalização, hipo e hipersegmentação, entre outros);
• Escrever alfabeticamente, ainda que com erros de ortografia, textos que conhece de memória
(o texto falado, e não a sua forma escrita), tais como parlendas, adivinhas, poemas, canções, trava-línguas, entre outros;
• Reescrever – ditando para o professor ou colegas e, quando possível, de próprio punho – histórias conhecidas, considerando as idéias principais do texto-fonte e algumas características da linguagem escrita;
• Produzir textos de autoria (bilhetes, cartas e instrucionais), ditando para o professor ou os
colegas e, quando possível, de próprio punho ;
• Revisar textos coletivamente com ajuda do professor .
Os alunos, ao final da 2ª série do Ciclo I, deverão ser capazes de:
• Participar de situações de intercâmbio oral que requeiram ouvir com atenção, formular e
responder perguntas, explicar e compreender explicações, manifestar opiniões sobre o assunto tratado;
• Apreciar textos literários ;
• Ler, por si mesmos, diferentes gêneros (textos narrativos literários, textos instrucionais, textos
de divulgação científica e notícias) apoiando-se em conhecimentos sobre o tema do texto e as características de seu portador, do gênero e do sistema de escrita;
• Ler, com ajuda do professor, textos para estudar os temas tratados nas diferentes áreas de
conhecimento (enciclopédias, informações veiculadas pela internet e revistas);
• Reescrever, de próprio punho, histórias conhecidas, considerando as idéias principais do
texto-fonte e algumas características da linguagem escrita;
• Produzir textos de autoria de próprio punho, utilizando recursos da linguagem escrita;
• Revisar textos coletivamente com a ajuda do professor ou em parceria com os colegas
Os alunos, ao final da 3ª série do Ciclo I, deverão ser capazes de:
• Participar de situações de intercâmbio oral que requeiram ouvir com atenção, intervir sem sair
do assunto tratado, formular e responder perguntas justificando suas respostas, explicar e compreender explicações, manifestar e acolher opiniões, fazer colocações considerando as falas anteriores;
• Apreciar textos literários;
• Selecionar, em parceria, textos em diferentes fontes para busca de informações ;
• Localizar, em parceria, informações nos textos apoiando-se em títulos e subtítulos, imagens e
negritos e selecionar as que são relevantes, utilizando procedimentos de estudo como copiar a informação que interessa, grifar e fazer anotações (em enciclopédias, informações veiculadas pela internet e revistas);
• Ajustar a modalidade de leitura ao propósito e ao gênero ;
• Reescrever e/ou produzir textos de autoria, com apoio do professor, utilizando procedimentos
de escritor: planejar o que vai escrever considerando a intencionalidade, o interlocutor, o portador e as características do gênero; fazer rascunhos; reler o que está escrevendo, tanto para controlar a progressão temática quanto para melhorar outros aspectos – discursivos ou notacionais – do texto;
• Revisar textos (próprios e de outros), coletivamente, com a ajuda do professor ou em parceria
com os colegas, do ponto de vista da coerência e da coesão, considerando o leitor;
• Revisar, coletivamente, com a ajuda do professor, textos (próprios e de outros) do ponto de
vista ortográfico.
Os alunos, ao final da 4ª série do Ciclo I, deverão ser capazes de:
• Participar de situações de intercâmbio oral que requeiram ouvir com atenção, intervir sem sair
do assunto tratado, formular e responder perguntas justificando suas respostas, explicar e compreender explicações, manifestar e acolher opiniões, argumentar e contra-argumentar;
• Planejar e participar de situações de uso da linguagem oral sabendo utilizar alguns procedimentos de escrita para organizar sua exposição ;
• Apreciar textos literários ;
• Selecionar os textos de acordo com os propósitos de sua leitura, sabendo antecipar a
natureza de seu conteúdo e utilizando a modalidade de leitura mais adequada ;
• Utilizar recursos para compreender ou superar dificuldades de compreensão durante a leitura
(pedir ajuda aos colegas e ao professor, reler o trecho que provoca dificuldades, continuar a leitura com intenção de que o próprio texto permita resolver as dúvidas ou consultar outras fontes);
• Reescrever e/ou produzir textos de autoria utilizando procedimentos de escritor: planejar o
que vai escrever considerando a intencionalidade, o interlocutor, o portador e as características do gênero; fazer rascunhos; reler o que está escrevendo, tanto para controlar a progressão temática quanto para melhorar outros aspectos – discursivos ou notacionais – do texto;
• Revisar textos (próprios e de outros), em parceria com os colegas, assumindo o ponto de
vista do leitor com intenção de evitar repetições desnecessárias (por meio de substituição ou uso de recursos da pontuação); evitar ambigüidades, articular partes do texto, garantir concordância verbal e nominal;
• Revisar textos (próprios e de outros) do ponto de vista ortográfico.
ORIENTA ÇÕES DIDÁTICAS PARA O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
(Leitura, Escrita e Comunicação Oral)
1. Práticas de Linguagem Oral
Para que as expectativas de aprendizagem dos alunos em relação às Práticas de Linguagem Oral possam ser concretizadas, é necessário que se planejem e organizem situações didáticas, tais como:
1.1. Rodas de conversa em que os alunos possam escutar e narrar fatos conhecidos ou relatar
experiências e acontecimentos do cotidiano. Nessas situações, é necessário garantir que os alunos possam expressar sensações, sentimentos e necessidades;
1.2. Saraus literários para que os alunos possam narrar ou recontar histórias, declamar poesias, parlendas e trava-línguas;
1.3. Apresentações em que os alunos possam expor oralmente um tema, usando suportes escritos, tais como roteiro para apoiar sua fala, cartazes, transparências ou slides;
1.4. Participação em debates, palestras e seminários;
1.5. Conversas em torno de textos que ajudem os alunos a compreender e distinguir características da linguagem oral e da linguagem escrita.
2. Práticas de Leitura
Para que as expectativas de aprendizagem dos alunos em relação às Práticas de Leitura possam ser concretizadas, é necessário que se planejem e organizem situações didáticas, tais como:
2.1. Leitura diária para os alunos de contos, lendas, mitos e livros de história em capítulos de forma a repertoriá-los ao mesmo tempo em que se familiarizam com a linguagem que se usa para
escrever, condição para que possam produzir seus próprios textos;
2.2. Rodas de leitores em que os alunos possam compartilhar opiniões sobre os livros e textos
lidos (favoráveis ou desfavoráveis) e indicá-los (ou não) aos colegas;
2.3. Leitura — pelos alunos — de diferentes gêneros textuais (em todas as séries do Ciclo) para dotá-los de um conhecimento procedimental sobre a forma e o modo de funcionamento de
parte da variedade de gêneros que existem fora da escola, isto é, para conhecerem sua forma e saberem quando e como usá-los;
2.4. Montar um acervo de classe com livros de boa qualidade literária para uso dos alunos tanto em sala de aula como para empréstimo. É a partir deste acervo que podem realizar as rodas
de leitores (ver 2.2);
2.5. Momentos em que os alunos tenham que ler histórias — para os colegas ou para outras classes — para que melhorem seu desempenho neste tipo de leitura e possam compreender a
importância e a necessidade de se preparar previamente para ler em voz alta;
2.6. Atividades em que os alunos consultem fontes em diferentes suportes (jornal, revista, enciclopédia etc.) para aprender a buscar informações;
2.7. Montar um acervo de classe com jornais, revistas, enciclopédias e textos informativos copiados da internet que sirvam como fontes de informação e como materiais de estudo e ampliação
do conhecimento, ensinando os alunos a utilizá-los e manuseá-los. Este acervo deve ser renovado em função dos projetos desenvolvidos na classe;
2.8. Atividades de leitura com diferentes propósitos (para se divertir, se informar sobre um assunto, localizar uma informação específica, realizar algo), propiciando que os alunos aprendam os
procedimentos adequados aos propósitos e gêneros;
2.9. Atividades em que os alunos, após a leitura de um texto, comuniquem aos colegas o que
compreenderam, compartilhem pontos de vista sobre o texto que leram e sobre o assunto e façam relação com outros textos lidos;
2.10. Leitura de textos, com o propósito de ler para estudar, em que os alunos aprendam procedimentos como reler para estabelecer relações entre o que está lendo e o que já foi lido, para
resolver uma suposta contradição ou mesmo para estabelecer a relação entre diferentes informações
veiculadas pelo texto, utilizando para isto anotações, grifos, pequenos resumos etc.
3. Análise e Reflexão sobre a Língua
Para que as expectativas de aprendizagem dos alunos em relação à Análise e Reflexão sobre a Língua possam ser concretizadas, é necessário que se planejem e organizem situações didáticas,
tais como:
3.1. Atividades de leitura para alunos que não sabem ler convencionalmente, oferecendo textos
conhecidos de memória – parlendas, adivinhas, quadrinhas, trava-línguas e canções – em que a tarefa é descobrir o que está escrito em cada parte, tendo a informação do que trata o texto (por exemplo: “Esta é a música ‘Pirulito que bate, bate...’”). Para isso, é necessário ajustar o falado ao que está escrito, verificando esse ajuste a partir de indícios (valor sonoro, tamanho das palavras, localização da palavra no texto etc.);
3.2. Atividades de escrita em que os alunos, com hipóteses não alfabéticas, sejam colocados para escrever textos que sabem de memória (o texto falado, não sua forma escrita), como parlendas,
adivinhas, quadrinhas, trava–línguas e canções. O objetivo é que os alunos reflitam sobre o sistema de escrita, como escrever (quantas e quais letras usar) sem precisar se ocupar do conteúdo a ser escrito;
3.3. Apresentação do alfabeto completo desde o início do ano em atividades em que os alunos
tenham que:
3.3.1. Recitar o nome de todas as letras apontando-as na seqüência do alfabeto e nomeá-las,
quando necessário, em situações de uso;
3.3.2. Associar as letras ao próprio nome e aos dos colegas;
3.4. Atividades em que os alunos tenham necessidade de utilizar a ordem alfabética em algumas de suas aplicações sociais, como no uso de agenda telefônica, dicionário, enciclopédias, glossários, guias e na organização da lista dos nomes dos alunos da sala;
3.5. Atividades de escrita em duplas em que os alunos, com hipóteses ainda não alfabéticas, façam uso de letras móveis. A mobilidade deste material potencializa a reflexão sobre a escolha
de cada letra. É interessante que o professor fomente a reflexão solicitando que os alunos justifiquem suas escolhas para os parceiros;
3.6. Atividades de reflexão ortográfica para os alunos que escrevem alfabeticamente. Para isso,
é necessário eleger quais correspondências irregulares e regulares serão objeto de reflexão, utilizando-se de diferentes estratégias, tais como ditado interativo, releitura com focalização, revisão (em dupla, grupo ou coletiva):
3.6.1. Para as irregulares, promover a discussão entre os alunos sobre a forma correta de
grafar tal palavra, tendo de justificar suas idéias. Em caso de impasse, consultar o professor ou o dicionário (de forma que os alunos, progressivamente, adquiram a rapidez necessária para consultá-lo e encontrar as palavras); estabelecer com os alunos um combinado sobre as palavras que não vale mais errar (por exemplo, as mais usuais), listá-las e afixá-las de forma que possam consultá-las, caso tenham dúvida);
3.6.2. Para as regulares, promover a discussão entre os alunos sobre a forma de grafar
determinada palavra; provocar dúvidas, tendo em vista a descoberta do princípio gerativo; sistematizar e registrar as descobertas dos alunos em relação às regras e usar o dicionário;
3.7. Atividades de reflexão sobre o sistema de pontuação a partir das atividades de leitura e análise de como os bons autores utilizam a pontuação para organizar seus textos:
3.7.1. Reescrita – coletiva ou em dupla – com foco na pontuação (discutir as diferentes
possibilidades);
3.7.2. Revisão de texto – coletiva ou em dupla – com foco na pontuação (discutir as decisões
que cada um tomou ao pontuar e por quê);
3.7.3. Observação do uso da pontuação nos diferentes gêneros (por exemplo, comparar contos
e reportagens), buscando identificar suas razões;
3.7.4. Pontuação de textos: oferecer texto escrito inteiramente em letra de imprensa minúscula,
sem os brancos que indicam parágrafo ou travessão, apenas os espaços em branco entre as palavras, para discutirem e decidirem a pontuação.
4. Práticas de Produção de Texto
Para que as expectativas de aprendizagem dos alunos em relação às Práticas de Produção de Texto possam ser concretizadas, é necessário que se planejem e organizem situações didáticas,
tais como:
4.1. Atividades em que os diferentes gêneros sejam apresentados aos alunos através da leitura
pelo professor, tornando-os familiares, de modo a reconhecer as suas diferentes funções e organizações discursivas;
4.2. Atividades em que o professor assuma a posição de escriba para que os alunos produzam um texto oralmente com destino escrito, levando-os a verificar a adequação do escrito do ponto de vista discursivo, relendo em voz alta e levantando os problemas textuais;
4.3. Atividades de escrita ou reescrita em duplas em que o professor orienta os papéis de cada um: quem dita, quem escreve e quem revisa, alternadamente;
4.4. Atividades de produção de textos definindo o leitor, o propósito e o gênero de acordo com a situação comunicativa;
4.5. Atividades de revisão de textos em que os alunos são chamados a analisar a produção do
ponto de vista da ortografia das palavras;
4.6. Atividades em que os alunos são convidados a analisar textos bem escritos de autores consagrados, com a orientação do professor, destacando aspectos interessantes no que se refere
à escolha de palavras, recursos de substituição, de concordância e pontuação e marcas que identificam estilos, reconhecendo as qualidades estéticas do texto;
4.7. Atividades em que os alunos revisem textos (próprios ou de outros), coletivamente ou em pequenos grupos, buscando identificar problemas discursivos (coerência, coesão, pontuação e repetições) a ser resolvidos, assumindo o ponto de vista do leitor;
4.8. Atividades para ensinar procedimentos de produção de textos (planejar, redigir rascunhos,
reler, revisar e cuidar da apresentação);
4.9. Projetos didáticos ou seqüências didáticas em que os alunos produzam textos com propósitos sociais e tenham que revisar distintas versões até considerarem o texto bem-escrito, cuidando da apresentação final.
QUADRO DE AVALIAÇÃO DAS APRENDIZAGENS
A avaliação deve ser um processo formativo contínuo, que não necessita de situações distintas das cotidianas. Portanto, o que aqui se apresentam são alguns critérios para que os professores possam melhor analisar e avaliar o que se passa na sala de aula, particularmente o avanço dos alunos em relação às expectativas de aprendizagem. Na primeira coluna de cada quadro estão as expectativas; na segunda, as atividades que devem fazer parte do planejamento semanal (conforme já indicado nas Orientações Didáticas); e, na última coluna, estão alguns tópicos que podem ser observados e que indicam se o aluno alcançou estas expectativas.
As situações propostas na segunda coluna são praticamente as mesmas ao longo das quatro séries. Isso ocorre porque o que deve variar é a complexidade do gênero textual abordado e o grau
de expectativa.
http://www.derbp.com.br/oficina_pedagogica_alfabetizacao.htm


Nenhum comentário:
Postar um comentário