terça-feira, 20 de abril de 2010


Estimular a aprendizagem


e não a competição

Organizar jogos para trabalhar conteúdos didáticos não é novidade em sala de aula. Ainda assim, os professores precisam ficar atentos para evitar que a competição em si seja o mais relevante para a garotada e os reultados dividam a classe em grupos de perdedores e vencedores, dando margem à exclusão de alguns. Também é fundamental ter em mente que a famosa frase "o importante é competir" não funciona quando se trata de Educação poruqe o que realmente vale é a aprendizagem dos alunos.

As competições costumam estimular as crianças, mas os educadores não devem se esquecer de que a escola é uma instituição que precisa exercer sua força reguladora e de que não se pode reforçar o ambiente de competitividade que existe na vida cotidiana, em que muitas vezes as regras nãos ão respeitadas e a vaidade pelo simples fato de vencer impera.

Para que isso não aconteça, ao fim de um determinado jogo, o docente tem de orientar o grupo ou o aluno que fez mais pontos a explicar para toda a turma como conseguiu conquistar o primeiro lugar afim de que o conhecimento seja socializado.

Outra boa conduta é orientar cada estudante a se preocupar com a própria superação enão com o desempenho em relação aos colegas.

No mais, ao escolher os jogos com que vai trabalhar, é interessante o educador buscar os que são cooperativos,e m que a união de todos os participantes leva a vitória.

O REGISTRO DA PRÁTICA DO(A) PROFESSOR(A)

O REGISTRO DA PRÁTICA DO(A) PROFESSOR(A)

Para o(a) professor(a) o registro da sua prática constitui importante instrumento de aperfeiçoamento do seu trabalho. Isso acontece porque ao registrar, representa sua experiência através de um objeto concreto, feito de palavras, que podem ser lidas, revisadas e analisadas.
Trabalhando com essa representação, ele(a) é estimulado(a) a repensar a prática ali representada. Poderá descobrir atitudes que deveriam ter sido tomadas, destacar as alternativas adequadas que foram utilizadas e todo um conjunto de procedimentos que levariam a melhores resultados. Além disso, o registro da prática do(a) professor(a) quando comunicado a outros educadores sugere novas práticas pedagógicas.
Mesmo sabendo da importância do registro, poucas vezes o realizamos. Isso tem seus motivos: a cultura brasileira é essencialmente oral, falamos muito mais que escrevemos e confiamos a nossa memória a capacidade das nossas cabeças de armazenar o que aprendemos e vivemos.
O exercício da escrita como registro das observações feitas pelos professores, além de documento que pode ser consultado, possibilita também ampliar o domínio da linguagem escrita e dinamizar o potencial de criatividade próprio de cada um.
As prováveis dificuldades iniciais quanto ao que e como escrever, falta de inspiração e descoberta dos momentos mais adequados para começar serão minimizadas no decorrer do processo, a medida que seja criado maior envolvimento com o ato de registrar.


AS DIFERENTES FORMAS DE REGISTRAR
OS DIFERENTES TIPOS DE REGISTRO



Imaginemos que estamos iniciando um encontro de professores de jovens e adultos. Nos primeiros momentos, entre abraços e conversas informais, alguém retira de sua pasta várias fotos onde aparece seu grupo de alunos, numa apresentação de trabalhos. Outra professora mostra uma atividade que preparou e que deu muito certo naquela semana. Noutra rodinha, podemos ouvir uma conversa animada sobre o envolvimento dos alunos numa produção de cartazes que são mostrados com muito orgulho.
Estes são alguns exemplos de situações nas quais os professores estão, informalmente, socializando experiências que foram registradas de diferentes maneiras: uma foto, uma produção de aluno, um relato oral, uma atividade que deu certo. Ao fazer isso, eles exercitam sua comunicação e assim refletem, rememoram e partilham o seu fazer.
O registro permite uma diversidade de funções e está a serviço de diferentes propósitos: comunicar, documentar, refletir, organizar, rever, aprofundar e historicizar. A forma e o conteúdo do registro também podem e devem variar, tanto quanto variam suas finalidades. O registro escrito torna visível estes diferentes objetivos.
Além disso, o ato de escrever nos obriga a fazer perguntas, levantar possíveis respostas e organizar o que pensamos. Tudo isso nos leva a dar conta de que caminhos devemos seguir, que mudanças devemos fazer, que escolhas não foram felizes e que decisões facilitaram as aprendizagens dos alunos. (...)


COMO REGISTRAR

Quando nos dispomos a registrar nossas práticas ou algum aspecto ligado a elas, deparamos com uma série de questões: como organizar nosso tempo para sentar, anotar, escrever, refletir, documentar?
Da mesma forma que observamos a existência de muitos tipos e objetivos de registros, podemos notar que há uma quantidade bastante grande de meios, de formas e de caminhos para a realização deles. Cada um deve buscar a forma que mais se adapta ao seu jeito, ao seu tempo e às suas intenções.
Se, por exemplo, quero registrar uma seqüência de ações acontecidas dentro de um projeto e pensar sobre as aprendizagens e conquistas dos alunos, é interessante organizar uma pasta onde vou colocando o planejamento geral e de cada uma das propostas, as produções dos alunos, as minhas observações em torno delas, enfim, tudo que considerar importante guardar. No final, posso comparar as produções e comentar as mudanças ocorridas.
Se, por outro lado, quero refletir sobre o quanto os alunos avançaram num determinado conhecimento, é importante ir anotando o que foi sendo observado assim como as intervenções que foram feitas. Essas anotações são fundamentais para o escrito do registro. Vale sempre lembrar que confiar apenas na memória não é o melhor dos caminhos.

Preparando para os registros...
Estas são algumas sugestões de formas de organização que podem contribuir para o registro:

Em relação ao ato de registrar
a) Ter um caderno para registrar fatos e comentários acontecidos ou relacionados a sala de aula.
b) Organizar uma pasta para guardar as produções dos alunos, os planejamentos, os textos que foram utilizados na realização de um determinado trabalho, suas reflexões sobre ele e tudo mais que julgar significativo.
c) Utilizar fichas com questões que orientam o registro. Veja um exemplo delas:

* O que pretendo trabalhar nesta semana;

* Atividades que eu vou realizar para alcançar as metas;

* Que atividades planejei e deram certo? Por quê?

* O que fiz e não havia planejado?


Em relação ao tempo:

Muitos dos professores que conseguiram desenvolver a prática do registro consideram este um bom caminho:
a) Todos os dias dedicar algum tempo para escrever sobre o vivido em relação ao trabalho educativo. Esse tempo pode variar de acordo com suas possibilidades. Mesmo que bem pequeno, 10, 15 minutos, a criação de uma rotina ajuda e muito a capacidade de registrar.
b) Síntese semanal: uma vez por semana escolher um ou mais aspectos do trabalho para documentar mais detalhadamente.
c) Registro final: concluído o projeto, estudo ou período de aula é chegada a hora de escrever sobre o caminho percorrido, as conquistas, as dificuldades, o que ainda continua sendo um desafio, os resultados conseguidos e as suas sensações na realização do trabalho...

Em relação aos temas:

São infindáveis os temas cujos registros levam o(a) professor(a) a pensar melhor o seu fazer de educador(a), a sua compreensão do ato de ensinar, a sua forma de ver o mundo e de ler a realidade. Os registros tornam o(a) professor(a) autor(a) de sua teoria e por isso mais capaz de atuar positivamente na sua sala de aula.
a) Registrar sobre quem são as alunas e alunos.
b) Escrever sobre experiências positivas vividas na semana: quais e por que foram positivas.
c) Escrever sobre experiências que não tiveram êxito: quais e por que.
d) Escrever como os alunos escrevem, calculam, resolvem problemas matemáticos, pensam o mundo, a vida.
e) Escrever sobre a dinâmica do grupo.
f) Escrever idéias de continuidade, de aprofundamento ou de mudanças necessárias.
g) Escrever sobre os pontos fortes do trabalho ou estudo e sobre os pontos que precisam ser revistos ou mudados.
h) Escrever sobre as próprias aprendizagens durante um certo tempo: semestre ou ano, por exemplo.
Como você deve ter notado, os registros permitem ao(a) professor(a) construir a memória do processo vivido na sala de aula. Eles propiciam uma visão geral do trabalho desenvolvido, facilitando a constatação das dificuldades e sucessos. Possibilitam, assim, avaliar a aprendizagem dos alunos e a atuação do(a) professor(a).
:: fonte: Trabalhando com a Educação de Jovens e Adultos , MEC

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Como motivar seu aluno a produzir textos:




Como motivar um aluno Seu Produzir textos:

☺ Relatos do dia-a-dia;

☺ Notícias da comunidade;

☺ Notícias de Jornais e revistas;

Importantes ☺ Acontecimentos;

☺ Gravuras;

principiados ☺ Textos;

☺ Textos em rodinhas;

☺ Textos coletivos;

☺ Textos em Dupla;

Livros Lidos ☺;

☺ Revistas em quadrinhos;

☺ Debates;

☺ Cartas, Bilhetes, Avisos;

☺ Relatórios;

☺ Músicas;

☺ Poesias;

☺ Trabalho com Sucatas, Desenhos, Pinturas, origamis, maquetes

COMO CONTAR HISTÓRIAS

As histórias na educação infantil são fundamentais na formação educacional da criança, em especial no início da escolaridade. Para o desenvolvimento de tal atividade deve ocorrer todo um planejamento, pois se trata de um momento mágico que a criança irá vivenciar e absorver algo que venha a identificar com ela naquele instante.




Por ser considerada uma atividade tão importante na educação infantil, sugerimos aos professores que lidam com crianças dessa fase algumas orientações que poderão beneficiar e conseqüentemente propiciar o desenvolvimento contínuo da criança no desenvolvimento da linguagem.





1. Contar histórias diariamente;



2. As histórias podem ser repetidas, dependendo do interesse dos alunos;



3. Alguns critérios devem ser seguidos como: livros com poucos textos, linguagens simples, maior número de ilustrações, sendo essas grandes e sugestivas e que satisfaçam o desejo dos alunos.



4. Baseando em informações passadas por pais em relação ao aluno, buscar histórias que venham ajudar a resolver um problema em questão. Por exemplo: Se uma criança recusa a comer verduras em casa, selecione um tema voltado para a importância dos alimentos, de forma que a criança se identifique e o professor ajude a família, visto que a escola também tem essa função.



5. Ao planejar o momento de contar histórias, determinados aspectos são fundamentais e devem ser analisados:



• Local: as histórias não devem ser contadas apenas dentro da sala de aula, pelo contrário, ambientes diferenciados tornam o momento mais agradável (pátio, quadra, jardim, sentado em degraus, quiosques, entre outros).



• Posição: Os alunos devem estar em uma posição confortável e a professora deve ficar em uma posição que permita a todos os alunos a visualização do livro e sua dramatização.



• Apresentação da história: é fundamental que a professora conheça o texto da história, pois o ideal é que conte a história com suas próprias palavras, utilizando uma linguagem simples e um tom moderado, de forma que todos os alunos possam escutar de forma agradável.



• Horário: não deve existir um horário estipulado para o momento da história, deve acontecer de acordo com a necessidade e até mesmo de forma surpreendente para o aluno. Conforme uma situação ocorrida no ambiente, o professor poderá utilizar certa história que encaixe naquele instante, de forma que venha contribuir na resolução e amadurecimento da criança.



• Motivação: cabe ao professor deixar como suspense a história a ser contada, de forma que venha despertar a curiosidade em seus alunos bem como a motivação do momento.



Ressalta-se que muitas vezes, apesar do professor ter feito todo um preparo para esse momento, acontece das crianças ficarem dispersas. Sendo assim, sugere-se que o professor busque a participação das crianças fazendo “questionamentos” de forma que elas possam interagir com a história que está sendo contada.



Por Elen Campos Caiado

Graduada em Fonoaudiologia e Pedagogia

Equipe Brasil Escola


Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência a vossa!

Ai, palavras, ai, palavras,

sois de vento, ides no vento,

no vento que não retorna,

e, em tão rápida existência,

tudo se forma e transforma!



(Cecília Meireles)



A UTILIZAÇÃO DO BLOG COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA

A UTILIZAÇÃO DO BLOG COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA

Blog é a abreviação da expressão inglesa weblog. É um diário virtual. Muitos são pessoais, alguns são voltados para diversão e outros são utilizados em situação de trabalho. Há também aqueles que misturam tudo. Mas, em geral, enfocam uma área de interesse para quem os escreve. São atualizados com regularidade, da mesma forma que se fazia, com os diários de papel.

Começaram a aparecer no final dos nos anos 1990. Para se criar um blog, eram necessários conhecimentos de HTML Mas hoje, criar um blog é muito fácil e simples. Não exige conhecimentos profundos de Informática, nem instalação de programas para a publicação e atualização. Existem serviços gratuitos para a publicação dessas novas formas de registro.

Como recurso de aprendizagem, o blog vem ganhando espaço. Aproveitar o conhecimento e o interesse dos jovens por esta forma de comunicação no contexto escolar pode ser uma maneira diferente de divulgar projetos e permitir a interatividade e a troca de experiências, facilitando a reestruturação de antigos e a construção de novos outros conhecimentos.

A utilização dos blogs nas escolas permite o registro de forma rápida e simples. O blog funciona como um diário no qual o usuário (aluno ou professor) pode registrar atividades, eventos, impressões acerca de determinado assunto ou propor desafios cooperativos.

A construção de um blog pode ser feita a partir do site hospedeiro. Nele é possível inserir imagens e alterar os dados postados. A construção de um blog de forma cooperativa possibilita a interação entre os sujeitos e promove a troca de idéias e a resolução de desafios de forma colaborativa. Estas possibilidades, além da facilidade de utilização, organização de conteúdos e comentários, ampliam as possibilidades de complementar as aulas dos professores de forma inovadora e atraente.

Esses diários eletrônicos são uma ferramenta diferente, capaz de transformar o trabalho pedagógico e, assim, envolver muito mais os nossos alunos. Têm grande poder de comunicação, pois oferecem espaços de diálogo onde os alunos são escritores, leitores, pensadores. Os blogs ajudam a construir novas redes sociais e de saberes.

Por permitir a expressão, discussão e contraposição de idéias entre os sujeitos, é um recurso que promove a aprendizagem e possibilita a construção do conhecimento. Seja como for, levar o recurso dos blogs para a escola pode representar um avanço na capacidade de comunicação dos alunos. Convidados a se divertir, eles estarão exercitando a leitura, a escrita, o senso crítico e a familiaridade com a Informática.

Hoje, o uso do computador na Educação deve ser capaz de gerar reflexão, análise, depuração dos procedimentos utilizados pelo aluno, inclusive e, principalmente, para o desenvolvimento de determinada atividade prevista no planejamento do "conteúdo escolar".



Algumas sugestões de utilização do blog como um prática pedagógica:

• Criação de um jornal on line;

• Divulgação de atividades realizadas em sala de aula;

• Divulgação de produções dos alunos em diferentes áreas de conhecimento;

• Desenvolvimento da curiosidade, incentivando o aluno a buscar diferentes linguagens para se expressar;

• Desenvolvimento de habilidades e competências nas diferentes áreas de conhecimento, aplicando os conteúdos aprendidos na sala de aula;

• Apresentar várias etapas de um projeto desenvolvido na escola, na sala, em grupos ou mesmo individual;

• Elaboração de um diário, referente ao processo, de aulas, projetos ou atividades, tanto para alunos como professores;

• Criação de relatórios de visitas e excursões de estudos para que os alunos relatem a importância daquele momento;

• Compartilhamento de idéias de atividades de ensino ou jogos de linguagem para uso em sala de aula;

• Apresentação de exemplos de trabalho em sala de aula, de atividades de vocabulário, ou de jogos gramaticais;

• Aprender sobre blogs;

• Discussão de atividades para que os alunos possam dizer o que pensam sobre elas;

• Reunião e organização de recursos da Internet para aulas específicas, fornecendo links para sites apropriados, assim como informações sobre sua relevância;

• E o que mais a sua imaginação puder criar.......

O que eu posso afirmar é que as experiências que tive com meus alunos foram ótimas. Em uma atividade integrada, trabalhei a criação do blog com alunos de 6º ano e o resultado foi muito positivo, tanto para eles como para mim e para a professoora de Redação. Você quer ver o resultado? Dê um "pulinho" no blog deles, clicando nos links abaixo:



http://meusalunos601.blogspot.com

http://meusalunos602.blogspot.com

http://meusalunos603.blogspot.com

http://meusalunos605.blogspot.com

O papel do Professor Coordenador no processo pedagógico das escolas






O papel do Professor Coordenador no processo pedagógico das escolas



Estimular o trabalho em equipe



Uma primeira questão deveria ser levantada com os professores coordenadores: fazê-los lembrar de que vão desempenhar um novo papel que já não é o de professor, ainda que esteja ligado por laços de afetividade aos colegas. Seu papel passa a ser bem diferente, voltado para a orientação, gerenciamento e cobrança de resultados. E assim deve ser compreendida as funções do Professor-Coordenador pelo Corpo Docente.





A primeira grande tarefa do Professor-Coordenador, deve ser a de aglutinar os antigos colegas num trabalho de equipe, condição essencial para a melhoria do fazer pedagógico em sala de aula. Para isso, deve deixar claro os objetivos comuns da escola, rememorando o compromisso assumido na elaboração do "Plano Escolar".



Em busca de melhores resultados



Primordial será analisar o desempenho de professores e alunos nos dois primeiros bimestres e, ao lado da Direção, propor ações efetivas para melhorar esse desempenho, pois não será preciso "queimar as pestanas" para concluir que, em média, o aproveitamento nas escolas públicas estaduais vai mal, muito mal (não andará muito melhor as de 1ª a 4ª séries). Detectados os índices de reprovação nas várias disciplinas, será importante discutir esses resultados, tanto em conjunto, como individualmente, com os professores. A troca de informações com os docentes envolvidos com os baixos índices de aproveitamento às avaliações externas mostram-se imprescindíveis a fim de que conheça, em profundidade, as características desses profissionais, entre as quais sua inclinação e vontade em remodelar seu trabalho e o grau de interesse pela aprendizagem do alunado, com vistas ao melhor desempenho nos bimestres que se seguirão. Esta entrevista servirá como uma troca de informações, objetivando a implemen-tação de ações necessárias à melhoria do trabalho em sala de aula, propondo-se, se for o caso, alterações metodológicos, posto que as utilizadas, até o momento, mostraram-se ineficazes frente aos resultados, até o momento, obtidos. Do lado do professor, haverá "N" justificativas indo da falta de pré-requisitos à conduta negativa do aluno em sala de aula, justificativas essas que, afinal, são um convite ao imobilismo e à manutenção do "status quo", mesmo porque muitos são incapazes de exercer auto-crítica sobre a sua atuação no desenvolvimento dos conteúdos e no relacionamento com o alunado. É necessário haver um esforço do Professor-Coordenador, no sentido de reestimular o docente envolvido com maus resultados para o compromisso de tentar novas formas de trabalho capazes de alterar os rumos do processo. Uma vez conseguido tal compromisso, será imprescindível da parte do Professor-Coordenador acompanhar essas ações para que tudo o que se replanejou, não se perca nas boas intenções momentâneas (muito comum nas escolas públicas nas quais se fazem excelentes planos escolares para serem esquecidos algumas semanas após o início do ano letivo). Relembrar, em todas as reuniões, o que foi planejado para a escola. Reler planos e projetos, na busca do objetivo geral. Discutir com os professores a questão da assiduidade e buscar razões do excesso de falta de muitos às aulas é uma tarefa a ser levada adiante se se pretende a melhoria do trabalho dos faltosos (sob muitos aspectos, uma das principais causas do mau aproveitamento da classe, dada a descontinuidade do processo pedagógico naquela disciplina).





O acompanhamento do processo



Quanto ao acompanhamento dos conteúdos planejados, deve o coordenador não só o basear no registro existente nos diários, como também louvar-se no caderno dos alunos, fonte essencial para saber a quantas andam as classes em relação àquilo que o docente se comprometeu a desenvolver. Se considerarmos a aprendizagem algo cumulativo, cujos conteúdos devem estar interligados ao longo do curso, o não cumprimento do que se planejou provocará lacunas irreversíveis na aprendizagem, o que não sucederia se o problema fosse detec-tado a tempo.

Muito poderá fazer o Professor-Coordenador pelo aper-feiçoamento dos docentes nas HTPCs e Reu-niões Pedagógicas, selecionando textos, mormente os que tratem de metodologia para o desenvolvimento dos conteúdos, das quais se ressente vasta proporção de docentes acostumados a trabalhar apenas com questionários (à guisa de síntese das unidades) e excessivo uso do livro didático que, de simples material de apoio, vem se transformando em peça essencial do trabalho em sala de aula. Cabe ao Professor-Coordenador oferecer, tanto quanto possível, material para a leitura do grupo, que será tanto mais eficaz quando se relacionar ao dia-a-dia dos professores nas diferentes áreas e disciplinas cujos resultados da leitura e discussão, cheguem realmente à sala de aula. Por meio dessas leituras e discussões, estar-se-ia fa-zendo, até mesmo, um ver-dadeiro treinamento em serviço, desde que o Professor-Coordenador acompanhe passo a passo a aplicação daquilo que resultou dos debates do grupo sobre determinadas matérias interessantes à melhoria da qualidade das aulas nas disciplinas onde se observam defasagens graves. Cabe também, ao coordenador, examinar as dificuldades para o cumprimento do projeto e trazer para debate sugestões para vencê-las (segundo sua proposta de trabalho).





A importância da pauta da HTPC



Relevante será para o Professor-Coordenador organizar, previamente, a pauta das HTPCs, que se constituirá em prática eficiente para evitar improvisações, provocando críticas da parte dos envolvidos, colocando em cheque seu trabalho, mormente quando alguns professores realizam a HTPC a contragosto.





Evitar os famosos "quebra galhos" para as HTPCs é mais uma tarefa do Professor-Coordena-dor. Fazer de conta que a HTPC está sendo realiza-da, quando os professores inscritos se encontram dispersos por diversos horários e até em janelas é o primeiro passo para desacreditar nesse importante momento pedagógico. Como os professores de 5ª a 8ª séries estão obrigados a essa atividade, os que se inscreveram deverão cumpri-las, realmente. Irregularidades nesta atividade recairão, fatalmente, sobre as costas dos professores-coordenadores de ora em diante.

Atuando sobre as avaliações



Outra atividade de suma importância nas HTPCs é a constante análise das avaliações (internas e externas) que serão aplicadas aos alunos. Nesse aspecto, seria relevante que os professores-coordenadores solicitassem aos docentes os critérios de avaliação, os instrumentos utilizados no bimestre e cópia das provas, a fim de facilitar análises em grupo, para saber dos propósitos dos docentes ao elaborá-las, se as questões estão voltadas para a introjeção de conceitos básicos de cada conteúdo dentre outras questões que cercam as avaliações. A prática nos demonstra que, entre muitos docentes, as provas constituem um mero amontoado de questões nas quais os objetivos não se expressam claramente; os conceitos básicos da unidade a ser avaliada não ganham relevância; as menções numéricas são simplesmente convertidas em menções alfabéticas, contrariando a filosofia vigente . Lutar pela introdução de variados instrumentos de avaliação, no fazer do docente, constituirá importante contribuição do professor-coordenador para a melhoria do desempenho dos professores e alunos.



Atuando sobre as recuperações



O mesmo se poderá dizer das recuperações (cujas provas devem ser arquivadas para evitar problemas ligados a eventuais recursos dos pais após a avaliação final do ano letivo). As HTPCs e Reuniões Pedagógicas ensejarão ao Professor-Coordenador orientar o corpo docente no sentido de fazê-lo compreender que a recuperação não constitui mera repetição dos conteúdos não apreendidos, mas um novo momento no qual se aplicarão métodos diferenciados para atingir os objetivos propostos pelo professor. Discutir novas metodologias implicará em o professor-coordenador buscar fontes de informações para se equipar. Nesse aspecto, cabe à Secretaria da Educação providenciar sérios treinamentos para alguém que foi jogado ex-abrupto num contexto pedagógico eivado de problemas, os quais já seriam difíceis de serem enfrentados até mesmo por um especialista.



A contínua análise dos resultados



Dispondo de 40 horas semanais, haverá tempo para que os professores-coordenadores elaborem gráficos de aproveitamento das séries, a fim de levar aos professores informações fundamentais sobre o desempenho dos alunos em todas as disciplinas para, sistematicamente, discutir esses resultados com os docentes, buscando, sempre, novas soluções para o aprimoramento das avaliações. Por outro lado, nada impede ao Professor-Coordenador manter contato direto com as classes e alunos em dificuldades, transmitindo-lhes orientações para que se apliquem mais em determinadas disciplinas. Será mais uma contribuição à melhoria do ensino-aprendizagem, se todos se congregarem em uma verdadeira equipe para atingir objetivos comuns.



LEGISLAÇÃO PARA CONSULTA



Resolução SE nº 76/97
Para viver





Viver é sempre aprender a rever os passos ...

É a mudança de rota

ou ainda ser mesmo de maneira diferente.

É superar a dor,

É para aquecer os sonhos,

É confiar na vida,

Ele é um presente intenso,

É o coração segue o caminho de,

Trata-se de orientar o pensamento para positividade.

É para cuidar de você,

É escutar a alma ...

É respirar a essência divina

É aprender a sorrir.





H1N1 - CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO - MARÇO 2010



CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO CONTRA A GRIPE A (H1N1)





8 a 19 de março
-Profissionais da Saúde
-Médicos, enfermeiros, recepcionistas, pessoal de limpeza e segurança, motoristas de ambulância, equipes de laboratório e profissionais que atuam na investigação epidemiológica.
-Povos indígenas
-População que vive em aldeias. A vacinação será realizada em parceria com a Funasa (Fundação Nacional de Saúde).

22 de março a 2 de abril


-Gestantes
Mulheres grávidas em qualquer período de gestação. As mulheres que engravidarem depois de 2 de abril podem tomar a vacina até 21 de maio.
-Pessoas com problemas crônicos com até 60 anos de idade
-Serão vacinadas as pessoas com os seguintes problemas:
• Obesidade grau 3 - antiga obesidade mórbida (crianças; adolescentes e adultos);
• Doenças respiratórias crônicas desde a infância (exemplos: fibrose cística, displasia broncopulmonar) ;
• Asmáticos (formas graves);
• Doença pulmonar obstrutiva crônica e outras doenças crônicas com insuficiência respiratória;
• Doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (exemplo: distrofia neuromuscular) ;
• Imunodeprimidos (exemplos: pacientes em tratamento para aids e câncer ou portadores de doenças que
debilitam o sistema imunológico);
• Diabetes mellitus;
• Doença hepática (exemplos: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou
terapêutica antiviral);
• Doença renal (exemplo: insuficiência renal crônica, principalmente em pacientes com diálise);
• Doença hematológica (hemoglobinopatias) ;
• Pacientes menores de 18 anos com terapêutica contínua com salicilatos (exemplos: doença reumática auto-
imune, doença de Kawasaki);
• Portadores da Síndrome Clínica de Insuficiência Cardíaca;
• Portadores de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica (exemplos: hipertensãoarterial pulmonar, valvulopatias, cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular) .
-Crianças entre seis meses e dois anos de idade incompletos (23 meses).
Elas devem receber meia dose da vacina e, depois de 21 dias, poderão tomar a outra meia dose.

5 a 23 de abril

-População de 20 a 29 anos. Qualquer pessoa nessa faixa etária.

24 de abril a 7 de maio

-Idosos com problemas crônicos (mais de 60 anos de idade).

O período coincide com a vacinação de idosos para a gripe comum. Quando eles forem tomar a vacina, receberão também imunização contra o vírus influenza A (H1N1) caso tenham algum destes problemas:

• Obesidade grau 3 - antiga obesidade mórbida (crianças; adolescentes e adultos);
• Doenças respiratórias crônicas desde a infância (exemplos: fibrose cística, displasia broncopulmonar) ;
• Asmáticos (formas graves);
• Doença pulmonar obstrutiva crônica e outras doenças crônicas com insuficiência respiratória;
• Doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (exemplo: distrofia neuromuscular) ;
• Imunodeprimidos (exemplos: pacientes em tratamento para aids e câncer ou portadores de doenças que
debilitam o sistema imunológico);
• Diabetes mellitus;
• Doença hepática (exemplos: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou
terapêutica antiviral);
• Doença renal (exemplo: insuficiência renal crônica, principalmente em pacientes com diálise);
• Doença hematológica (hemoglobinopatias) ;
• Pacientes menores de 18 anos com terapêutica contínua com salicilatos (exemplos: doença reumática auto-
imune, doença de Kawasaki);
- Portadores da Síndrome Clínica de Insuficiência Cardíaca;
• Portadores de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica (exemplos: hipertensão
arterial pulmonar, valvulopatias, cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular) .


10 a 21 de maio
População de 30 a 39 anos
Qualquer pessoa nessa faixa etária.

Expectativas de Aprendizagem de Leitura

SUGESTÃO PARA LEITURA!




Viva a diferença!

Só um mundo com oportunidades iguais, com respeito, sem preconceitos, mais tolerante, solidário e acolhedor poderá assegurar a todos uma vida digna e feliz.
O livro infantil “Viva a diferença!” é uma oportunidade para os pequenos e grandes cidadãos conhecerem, aceitarem, conviverem, aprenderem e crescerem com a diversidade.

TEXTOS PARA REUNIÃO DE PAIS E MESTRES

MÃES MÁS











Um dia, quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:
Eu os amei o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão e a que horas regressarão?
Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram da mercearia e os fazer dizer ao dono: "Nós roubamos isto ontem e queríamos pagar".
Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês 2 horas, enquanto limpavam o seu quarto; tarefa que eu teria realizado em 15 minutos.
Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso. Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.
Estou contente, venci... porque no final vocês venceram também! E qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, meus filhos vão lhes dizer quando eles lhes perguntarem se a sua mãe era má: "Sim... Nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo.
As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos de comer cereais, ovos e torradas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos de comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. E ela obrigava-nos a jantar à mesa, bem diferente das outras mães, que deixavam os filhos comerem vendo televisão.
Ela insistia em saber onde nós estávamos a toda hora. Era quase uma prisão. Mamãe tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos que íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.
Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violou as leis de trabalho infantil. Nós tínhamos de lavar a louça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.
Ela insistia sempre conosco para lhe dizermos a verdade, e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, ela até conseguia ler os nossos pensamentos.
A nossa vida era mesmo chata.
Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que nós saíssemos. Tinham de subir, bater à porta para ela os conhecer. Enquanto todos podiam sair à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos dezesseis.
Por causa da nossa mãe, nós perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós esteve envolvido em atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.
Foi tudo por causa dela. Agora que já saímos de casa, nós somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos "pais maus", tal como a nossa mãe foi.
Eu acho que este é um dos males do mundo de hoje:
Não há suficientes Mães más...



Dr. Carlos Hecktheuer
Capítulo I




ENSINAR E APRENDER: As Duas Faces da Educação



A educação escolar e a colaboração são ações que estão intrinsicamente ligadas. Ensinar e o aprender são o verso e o reverso de uma mesma medalha, a educação, e implicam em uma ação colaborativa, participativa e de construção conjunta. É essencial a percepção dessa relação para o entendimento desta tese.



1.1 Educação, direção de desenvolvimento

TOFFLER (1970), POSTMAM(1995), LÉVY(1993), DE MASI(1998 rt), CONTU (1998 rt), MACHADO(1997) são alguns dos que apontam para a educação como um caminho para a preparação e adaptação dos indivíduos em uma sociedade em constantes transformações, mas uma adaptação que seja proativa, não reativa e acomodada. Uma educação pluralista que se volte para a orientação do desenvolvimento de habilidades e técnicas de adaptação, de escolha e de tomada de decisões a partir de projeções de alternativas, possibilidades e probabilidades do futuro; uma educação que se dedique à formação de indivíduos "tecnicamente inteligentes", que ensine aos jovens como "utilizar os instrumentos práticos e mentais indispensáveis para poder viver, trabalhar, e sobretudo não se sentirem estranhos, nessa sociedade fortemente competitiva" (CONTU, 1998,12:1 rt); uma educação que privilegie a diversidade tendo uma base de técnicas comuns para a integração social, e que propicie a negociação, o trabalho em equipe, o viver e o relacionar-se com o outro.

A educação pode ser promovida nos mais diferentes ambientes sociais, mas neste trabalho, limito-me a tratar da educação, em cursos de pós-graduação em Educação, com a perspectiva de formação de professores. Dessa forma, toda a reflexão aqui desenvolvida acontece com o objetivo de fazer professores e alunos de pós-graduação experienciarem, analisarem e refletirem sobre a educação escolar como ensinantes e aprendizes. Não trato de cada fase da educação escolar, mas lembro-lhes que não podemos ensinar em um curso de graduação com a mesma postura e as mesmas crenças que portamos ao ensinarmos em um curso do Ensino Médio. Entretanto, temos que lembrar que os alunos de graduação poderão ser professores do Ensino Fundamental e Médio e que há inúmeras questões que são comuns à toda educação escolar e devem sempre estar presentes no momento do planejamento de suas ações nesses níveis. .

Educar é, pois, visto aqui como uma ação direcionadora, resgatando o passado e projetando-se no futuro, portanto, com uma historicidade própria.

Educar é tornar o homem consciente de si mesmo, de seus deveres e direitos, de sua responsabilidade para com sua espécie. Educar é tornar o homem capaz de pensar em si e nos seus relacionamentos com os outros de modo a perceber que é impossível que ele se nutra autonomamente (EMERENCIANO, 1996:140) Educar é mostrar que a inter-relação, a parceria, a colaboração são fundamentais para o crescimento pessoal e da comunidade. Educar é despertar no homem a possibilidade da ação comprometida com o interpessoal e a consciência de que toda ação tem reflexo para além do pessoal e atinge os que estão ao seu redor.

Educar é permitir, aos interlocutores educativos, a dúvida, o erro, a possibilidade de revisar e alterar posições - a partir de argumentação sólida.

O que assistimos, entretanto, como educação, no âmbito escolar, em geral, não se configura dessa forma. Muitas escolas permanecem como que impermeáveis às mudanças que afetam tanto a sociedade estruturalmente quanto as atividades de produção e de trabalho. As novas gerações freqüentam uma escola semelhante aquela que nossos avós freqüentaram. Na Europa, na América do Norte, na Austrália, ou na América do Sul, em particular no Brasil , as discussões centram-se, em geral, no tipo de currículo, na quantidade de períodos ou horas dos cursos, e deixam de lado esses objetivos. A escola moderna tal como se apresenta é um sistema integrado, coerente e efetivo para a realidade que a gerou, e na qual a tecnologia de comunicação por excelência era o texto impresso. Assim, a educação escolar tem se baseado na transmissão e na difusão do conhecimento através da linguagem escrita. A ênfase é dada à aprendizagem simbólica-reconstrutiva, que "utiliza a linguagem escrita de forma substancialmente autoritária e autosuficiente" dessa forma o pensamento linear fundamental para a clareza e distinção de conceitos vê-se ameaçada a ser deixada de lado diante de novas formas de interação humana baseadas no som, na imagem e na palavra falada. A educação escolar se dá conta muito lentamente que há uma espécie de volta à oralidade e um culto à imagem.. Essa oralidade é aquela mediada pelo vídeo, na qual o interlocutor está do outro lado e não pode ser sentido nem tocado, através de uma imagem sintética, plana que se alterna e envolve emocionalmente. Não tem memória, é fluida e transitória.

Crianças, jovens e adultos estão rodeadas por estimuladores dos sentidos, pelo rádio, pela TV, pelo vídeo, pelo cinema e recebem informações em diferentes linguagens e se vêem diante de uma outra forma de aprendizagem, esquecida na escola tradicional, a sensório-motora ou "perceptivo-motora", que se realiza observando, tocando, modificando, observado os resultados" (ANTINUCCI, 1998,13:4-5 rt).

Antes da escola sistematizada sobre a escrita, a aprendizagem se dava na experiência direta, e não só desenvolvendo habilidades, mas também, conhecimentos complexos como os de engenharia que permitiam aos romanos construírem os sistemas hidráulicos dos aquedutos romanos; o professor que não se apresentava como provedor de conhecimento, "mas como operador especialista que se observava e com o qual se interagia na utilização efetiva e concreta do conhecimento. a transmissão era indireta, aí participava de maneira substancial e determinante a experiência observativa e operativa dos alunos; era verbal apenas em parte e, neste caso, numa forma muito diferente a da verbalização 'em presença' (em presença da tarefa e da experiência factual) muito diferente daquela totalizante do texto escrito que é tomado 'em ausência' (ANTINUCCI., 13:5 rt).

Com o advento da sistematização escrita, a possibilidade de se transmitir conhecimento através do texto escrito, detalhado e compreensível por todos, apareceu como condição básica para a transmissão de conhecimento em larga escala, a escola se organizou exclusivamente sobre o modo simbólico-reconstrutivo, deixando passivo o modo perceptivo-motor (forma natural, menos cansativa e mais "divertida").

Na atualidade, constatamos que crianças, adolescentes e jovens se familiarizam de forma surpreendente com as novas tecnologias de comunicação, e, em quaisquer níveis sociais, há a expressão de sua criatividade através dessas tecnologias. Na periferia dos centros urbanos, encontram-se rádios comunitárias, ou programas de rádio, nos intervalos das aulas nas escolas públicas de Ensino Fundamental e Médio, em que adolescentes e jovens, compondo equipes criadoras, são os produtores, operadores, redatores, etc.

Os professores continuam a ser preparados utilizando os recursos tecnológicos que privilegiam a escrita. Mesmo ao participarem de oficinas ou cursos de atualização sobre as tecnologias eletrônicas recebem uma formação teórica apenas e não são expostos à experimentar, manusear e manipular essas tecnologias. Não aprendem a trabalhar com as tecnologias eletrônicas como mediadoras, não percebem que os alunos fora da escola estão envoltos em um mundo de som, imagem, de virtualidade e que a televisão e, hoje, a Internet, são janelas para o mundo que pode lhes dar uma visão distorcida da realidade. Não percebem que há interações comunicativas entre telespectadores e produtores dos programas televisivos que levam a "incorporações de imagens televisivas, de vivências e dos conhecimentos fragmentados" que podem ser articulados na escola, mas para isso é necessário que esses meios estejam presentes não só na vida cotidiana de alunos e professores, mas também nas ações educativas que esses professores realizam com seus alunos resgatando de sua memória essa experiência com as diversas mídias, estejam ela presentes ou não nas sala de aula (KENSKI, 1996:138). Atualmente, cada vez mais a televisão está sendo integrado às redes de comunicações, sua programação e muitos dos seus programas já podem ser acompanhados pela Internet. Os canais de TV a cabo se preparam para permitir acesso à Internet através do mesmo canal televisivo. Assim as crianças, jovens e adultos, e hoje até mesmo os idosos, estão acessando um mundo ainda maior de imagens, sons e informações que cada vez mais precisarão ser trabalhadas e sistematizadas em uma aprendizagem continua quer presencialmente, na sala de aula, quer através de orientações a distância que poderão ser emitidas por essas mesmas mídias.

Como a tecnologia eletrônica permite inventar uma realidade, é importante que nós, professores, percebamos que podemos ensinar nossos alunos a utilizá-la de modo a expressarem e produzirem bens culturais. Não vamos abandonar a leitura e a escrita verbal, ao contrário, vamos integrá-la à leitura e a escrita audiovisual e digital. Enquanto esta permite um ir e vir que responde aos impulsos imediatos do leitor e tem um significado instântaneo e volátil que atende à aprendizagem sensório-motora ou "perceptivo-motora", não descartamos aquela, que exige concentração, seqüência, lógica, concatenação de idéias expressas em frase, períodos e parágrafos necessárias à aprendizagem simbólica-reconstrutiva. Ambas abordagens possibilitam a conjunção de diversos tipos de inteligência e as diferentes competências individuais de forma colaborativa e integradora

Nos campi universitários, os cursos que demonstram um maior envolvimento nos projetos são os que não têm a forma de aprendizagem simbólico-reconstrutiva como exclusiva, mas aliam-na à aprendizagem perceptivo-motora, Ainda mais, com o advento do computador e da Internet, o universo perceptivo-motor se amplia com possibilidade de um maior desempenho e competência de adolescentes e jovens na manipulação das tecnologias interativas, como o computador, independente do nível social e de escolaridade.

O homem do futuro precisa ser rápido na identificação de novos relacionamentos, crítico nos seus julgamentos, isto é, cada indivíduo precisa ter habilidades e competência para aumentar sua capacidade de adaptação às mudanças contínuas. Além de compreender o passado e o presente, o homem necessita antever o futuro e antecipar mudanças, através de pressuposições, precisa saber definir, debater, sistematizar e atuar (TOFFLER, 1970). E educação escolar não pode esquecer essas competência uma vez que cada vez mais a educação se dá não apenas na escola, mas também na família, na comunidade, com profissionais e ao longo de toda a vida, não de maneira isolada e solitária, mas através das relações com outros estudiosos, com outros cidadãos, com outras pessoas.

Se a postura se modifica, se não ignorarmos a forma de aprendizagem perceptivo-motora e a integrarmos à simbólica-reconstrutiva, poderemos incluir novo saber e novo "sentir" . Assim, a construção dos conhecimentos sobre Arte, sobre os Meios de Comunicação, sobre Informática, promoverá a internalização de conceitos, hábitos e atitudes e permitirá a criação e a expressão artística, mediadas pelos meios de comunicação e/ou pela Informática.

Há uma necessidade da educação escolar retomar objetivos como a descentralização da posse dos saberes e sua difusão e a interpenetração da escola com a comunidade característica da pedagogia de C. Freinet (1896-1966). Atitudes positivas em relação às formas de aprendizagem precisam a ser consideradas e integrar o perceptivo-motor ao simbólico reconstrutivo, que não só permite a absorção de conteúdos disciplinares num sistema fechado, como também estimula a "formação para o método e para o conhecimento, desenvolvendo habilidades e capacidades, fornecendo elementos-chave e instrumentos, e não soluções e digestões de corpus predefinidos e preparados de materiais," (ANTINUCCI, 1998, 13:8 rt).

Precisa desenvolver atitudes que permitam maior conexão com a realidade do aluno e novas técnicas para se lidar com o desconhecido, com o inesperado e com o possível Essas atitudes possibilitam aprender a fazer, aprender a aprender, encarar problemas de vários pontos de vista, desenvolver relacionamentos interpessoais (aprender a viver com os outros) e a liberdade de escolha (currículo diversificado). É fundamental que se prepare o indivíduo para fazer escolhas apropriadas, para projetar o futuro com tempo suficiente de análise antes da tomada de decisão.

A escola não deve deixar ter como o objetivo o saber, atendendo às necessidades culturais e de construção do conhecimento, mas precisa desenvolver também o saber fazer, o fazer e o refletir sobre o fazer. O conhecimento deixa de ser um corpus fixo e sedimentado para ser um corpus de novos conhecimentos, em constante transformação e móvel, presente em um ciberespaço que permite a interconectividade, a multimediação e a virtualidade para as quais a escola deve habilitar e capacitar o indivíduo (CONTU, 1998, 12:2 rt).

Nesta Sociedade de Comunicação, em que os jovens estão ofuscados pela multimídia, pelos computadores e pela Internet, a aprendizagem informal, não sistematizada acontece em casa (televisão interativa, videogames, computadores), nos locais de trabalho ( geralmente informatizado), nos centros comerciais e nas rua (outdoors eletrônicos, digitalizados, quiosques interativos, sistemas automáticos). Privilegia essa forma perceptivo-motora mas não ignora a simbólico-reconstrutiva (jornais, revistas, livros especializados ou literatura).

Governo, pais e professores enfatizam a necessidade da educação preparar para uma nova sociedade com uma ação mais solidária e inclusiva. A escola não pode esquecer que é formada por cidadãos-alunos e cidadãos-professores. Sendo uma das instituições que presidem a difusão coletiva do "Saber Público", não pode abrir mão de sua função de "mediação cultural entre as gerações, para ser adequada ocasião de aprendizagem e de desenvolvimento de métodos e de 'saber-fazer' que constróem, a partir de informações difusas, conhecimentos estruturados (...) A escola deve por um lado projetar novos percursos de formação, mas de outra parte, conservar conscientemente todas as suas particularidades próprias; ser academia - onde se experimenta e se exercita - e refinaria, onde se reelabora e se aperfeiçoa " (GUASTAVINA, 1997, 9:3 rt). A metáfora da refinaria é muito interessante, no sentido em que a escola como tal dá possibilidade à reconstrução do conhecimento, à reelaboração e/ou aperfeiçoamento do saber prévio, do indivíduo e do grupo, devolvendo à sociedade um novo produto, transformado, melhorado.

Desta forma, tem que se ter clara a noção do que é educar para uma sociedade em transformação. MORAES1 (1998:6) enfatiza a necessidade de se ter novos espaços educacionais que permitam uma valorização do indivíduo, em consonância com uma atuação colaborativa na coletividade em que vive e "incentivo à autonomia, à criatividade, à solidariedade, ao respeito, à iniciativa, à participação e à cooperação, condições fundamentais para que os indivíduos possam sobreviver no século XXI ". Daí que se faz essencial uma nova postura em relação à formação de professores, não só em relação à sua formação técnica mas, sobretudo, em relação à formação como agente social. KENSKI (1996:139) chama atenção para o cuidado que se deve ter com a preparação de professores para trabalhar com os alunos numa sociedade de comunicação em que a televisão tem sido um meio tecnológico tão importante que produz alterações comportamentais globais: "gestos, expressões faciais, movimentos gerais do corpo, sons, musicas unem-se a palavras para comunicar o novo aprendizado". À televisão, hoje, agrega-se a Internet e os professores parecem não estarem preparados, Continuam a trabalhar apenas no âmbito do cognitivo.

Estou totalmente de acordo com KENSKI (1996:141) quando a autora lembra que os professores também estão expostos à toda essa riqueza e diversidade de linguagens e "plenos de cores, sons, movimentos e informações adquiridos em suas interações com a televisão e outras tecnologias eletrônicas de comunicação e informação" o que lhes falta é a possibilidade de conversar e contar sobre suas vivências fora da escola. Os professores e os alunos precisam de ambiente para expressarem seus sentimentos, seus anseios, suas curiosidades e suas descobertas fazendo o melhor uso e integrando as tecnologias de comunicação disponíveis à sua volta, do lápis às luvas e óculos da realidade virtual.

É fundamental que o professor pratique a leitura e até mesmo a escrita dessas mídias eletrônicas para poder trabalhar com seu alunos "o conhecimento caoticamente retido através dos meios de comunicação de massa e das mais diversas tecnologias", permitindo que cada um construa o seu próprio conhecimento dando a sua contribuição para o conhecimento coletivo.

1.2 Educação, valores e atitudes

Ainda em consonância com o tema, mas não exclusivamente formal ou metodológico, há uma outra preocupação com a qual a formação de professores deve se preocupar para que a educação escolar em uma sociedade de comunicação aconteça de forma adequada. Não é este o espaço para se tratar mais profundamente de Educação e Cidadania, mas não podemos esquecer de que estão intimamente associadas e não se concebe uma sem a outra. Ao lembrarmos que o homem vive em sociedade e para isso ele necessita ter um rol de direitos e deveres como reguladores de sua convivência social, colocamos a educação como a mediadora tanto para a incorporação desses reguladores como para o desenvolvimento de uma capacidade crítica, criativa e reflexiva para transformação desses reguladores em resposta a novos momentos e novas realidades. Os objetivos de conservação e subversão que podem ser contraditórios são na verdade complementares, parte de uma "única narrativa que diz o que é o ser humano, o que significa ser cidadão, o que significa ser inteligente" (POSTMAN, 1996:60)

A educação escolar não é vista isoladamente, mas dentro de uma totalidade envolvendo não só o que acontece na escola, mas em todos os ambientes e relações que envolvem o ser humano desde seu nascimento. A partir dessa colocação, os valores e as atitudes são elementos indispensáveis à educação. Habilidades e conhecimento são preocupações conscientes mais da educação escolar do que da educação familiar ou desenvolvida em outras relações sociais. Valores e atitudes são fundamentais e passam desapercebidas tanto na família quanto na sociedade e tornam-se raras, podendo ser consideradas como um dos elementos primordiais do fracasso escolar e da ausência de cidadania encontrados em grau preocupante nos dias atuais.

Muitos indivíduos, intuitivamente uns , ou outros, afortunadamente, por terem nascido em ambientes onde os valores positivos são desenvolvidos, têm o seu crescimento orientado pela solidariedade, honestidade, fidelidade, amizade, imparcialidade, gratuidade , amor e liberdade. Aprendem a se conhecer e a conhecer o outro; mais, a conhecer-se através do outro e respeitar o outro, conhecendo-o através dele próprio. Desenvolvem a tolerância porque o outro é outro e diferente de si, e entendem que a igualdade deve ser considerada em dimensões diferentes. A igualdade deve existir na oferta de condições de vida e desenvolvimento bem como na aplicação da justiça, mas há que se considerar que a diversidade tem que ser respeitada. Querendo tratar igualmente os desiguais, poderemos praticar uma grande injustiça. POSTMAN (1996) questiona, "pode um povo com diversas tradições, línguas, religiões, criar uma cultura unificada, coerente e estável?" ao que acrescento: a educação escolar pode ignorar essa diversidade e impor apenas uma cultura letrada ignorando as diversas "culturas" presentes na sociedade e, por conseguinte, presentes na escola? E quando se trata do Ensino Superior, é correto não trabalhar essa diversidade presente em muitos dos aspectos que o cidadão e o profissional encontrarão na sociedade como um todo e/ou na sua área profissional, em particular? Podemos desenvolver um trabalho colaborativo e participativo sem considerar essas questões?

Considero aqui a definição que Machado2 (1997:69-70 associa à educação, isto é, "a arte de conduzir a finalidades socialmente prefiguradas, o que pressupõe a existência e a partilha de projetos coletivos" buscando um "entrelaçamento, de uma fecundação mútua entre projetos individuais e coletivos". Assim como educar para a cidadania significa prover o indivíduo de instrumentos para a plena realização desta participação motivada e competente, desta simbiose entre interesses pessoais e sociais, desta disposição para sentir em si as dores do mundo; e semear um conjunto de valores universais que se realizam com o tom e a cor de cada cultura " (Machado2, 1997:106-107).

Assim, a existência do projeto é fundamental. O projeto de vida que anima, que dirige, que motiva e que empurra o indivíduo a seguir em sua lida, em sua pesquisa mesmo diante de muitos revezes, cansaço e obstáculos. Por outro lado, não se estimula, não se instiga, não se prepara nem na família, nem na escola, o indivíduo a ter seu próprio projeto e, a partir dele, participar de um projeto coletivo. Ao contrário, muitos pais e professores costumam impingir seus projetos frustrados para serem realizados pelos filhos e alunos.

Se os valores não são desenvolvidos e, portanto, não são parte da vida de adolescentes e jovens, se os projetos não são deles, e se a grande razão para se ir à escola é obter um diploma para "ter" um futuro confortável, esses jovens tornar-se-ão "cidadãos" passivos, manipuláveis e acomodados, por um lado, e frustrados, revoltados, intolerantes, propensos à violência, por outro. Professores que são indivíduos intolerantes, desiludidos, no sentido mesmo que não têm mais nenhuma ilusão e não querem mais participar do "jogo", provocam, em seus alunos, um desencanto não só em relação à escola como também em relação ao seu semelhante e à sociedade. Suas atitudes são de apatia, descaso, acomodação. Demonstram que não têm nenhum projeto pessoal, e não participam do projeto do grupo a que pertencem ou da instituição em que trabalham. Muitas vezes, colocam-se contra os que ousam ter um.

Há, ainda, muitos indivíduos competitivos, brilhantes, trabalhadores, mas movidos por um estímulo consumista que os compele a progredir, a pesquisar, a crescer em sua área de atuação para poder "ganhar" mais e "consumir' mais. Os valores que eles respeitam são os valores de mercado e as regras do jogo são feitas a partir do lema "os fins justificam os meios". Tanto do ponto de vista humano, quanto do ponto de vista profissional, impera a lei do mais forte e é isso que muitos professores deixam transparecer para seus alunos muitos dos quais assimilam não só os ensinamentos como também os conceitos de vida e passam a reproduzir a mesma postura, a mesma atitude e os mesmos valores.

Por outro lado, a tolerância e o respeito à diversidade ainda podem ser encontrados no Ensino Superior, assim como são presentes, projetos individuais ou coletivos baseados nos valores humanos que levam o homem a buscar a sua realização. Encontramos grupos de indivíduos que, silenciosamente, têm projetos coletivos dadivosos que incorporam projetos individuais e que buscam, através da colaboração e da ação participativa, solidária e transformadora, agir junto aos menos favorecidos, reconhecendo-os como pessoas e desenvolvendo-lhes a auto-estima, incorporando-os à sociedade e que não só lhes dão condições materiais, mas sobretudo desenvolvem atitudes baseadas em valores do ser com dignidade.

Essa preocupação que se demonstra, em geral, pelos menos favorecidos materialmente, deve ser considerada em relação aos jovens que têm todo o conforto material e, muito por causa disso, crescem sem projetos, sem valores, e, portanto, sem princípios - intolerantes e arrogantes - instigados apenas pelo ter cada vez mais. Os professores das escolas desses jovens, muitas vezes, se limitam a cobrir conteúdos e desenvolver habilidades operacionais. Reclamam da falta de valores e das atitudes não sociais e não colaborativas, mas não fazem nada, porque "isso já vem de casa" ou por que "na idade que já estão, atitudes e comportamentos " não são modificados. Muitos desses jovens limitam-se a freqüentar um curso superior e cumprir um ritual para continuar uma atividade já herdada do pai ou do avô, ou apenas para lhes entregar o diploma por eles desejados. Serão arquitetos, advogados, dentistas, engenheiros, médicos, etc diplomados que não exercerão a atividade ou já terão uma clientela "herdada", sem precisarem mostrar sua capacidade e competência para construir a suaprópria clientela. Por conseguinte, não serão sujeitos em processo de realização ou cidadãos críticos, proativos, criativos.

Nós, professores do Ensino Superior, precisamos ter projetos pessoais, integrá-los ao institucional, para nos sentirmos felizes, poderosos e confortáveis, para podermos seduzir nossos alunos a continuarem a sonhar e, a partir de seus sonhos, desenvolverem seus projetos individuais e criarem projetos coletivos; a serem colaboradores e participantes. Orientá-los a trabalhar e pensar reticular e significativamente, a usar a tecnologia e incorporá-la em vários níveis de atuação, como aplicação do conhecimento científico à solução de problemas e não se deixarem dominar pelo encantamento dos suportes tecnológicos que acabam hipnotizando o homem, escravizando-o. Orientá-los a trabalhar tendo como critério primordial a qualidade e a integridade. Dessa forma, poderemos ter futuros pais, futuros cidadãos, como indivíduos inteiros de corpo, mente e alma, solidários, criadores e transformadores.

1.2 Ensinar e Aprender

Tratei aqui, até agora, do educar como um processo que desmembro agora nas ações de ensinar e aprender. Antes de iniciar essas reflexões, deixo explicita o que é para mim o professor, aproveitando as palavras de BRAULT (1996:77):

" É alguém que: a) sabe organizar um plano de ação pedagógica; b) que sabe preparar e organizar, concretizar e operacionalizar situações de aprendizagem; c) sabe regular o desenvolvimento da situação de aprendizagem e é capaz também de avaliar esse desenvolvimento; d) sabe gerenciar fenômenos operacionais; e) sabe fornecer uma ajuda metodológica; f) sabe favorecer a construção de projetos profissionais positivos pelos alunos, projetos de vida no início da escolaridade, projetos profissionais até o fim do 2o. grau; e finalmente, g) sabe trabalhar com parceiros" (grifo meu).

Dessa forma, estarei refletindo sobre ensinar e aprender em termos gerais e particularizando esse processo em cursos de pós graduação, tendo em mente um professor com essas características.

O professor, profissional que deve estar em constante formação, desenvolve um trabalho que envolve duas ações que não podem ser pensadas separadamente: exatamente como em uma moeda, uma face está intrinsicamente ligada à outra e perde o valor se tomada isoladamente.





1.2.1 Ensinar: a face da responsabilidade pelo outro na educação



Ensinar é um processo que envolve indivíduos num diálogo constante, propiciando recursos temporais, materiais e informacionais para que se desenvolva a auto-aprendizagem e a aprendizagem com os outros ou a partir de outros (STOKROCKI, 1991). Não é apenas transmitir conhecimentos obedecendo a determinadas metodologias, cumprir os currículos de disciplinas estanques ou inter-relacionadas e "cobrir" determinados assuntos. Ensinar é fazer com que os alunos se comprometam num questionamento dialético de princípios fundamentais, desenvolvam estratégias de discussão de verdades estabelecidas É fazer com que analisem argumentos pró e contra e buscando a validação ou a contestação de hipóteses e crenças, com que estabeleçam novas hipóteses e novas crenças fundamentadas por pesquisa e reflexões sérias (CARR, 1997:325). Esse comprometimento não pode se dar apenas no âmbito individual, mas também coletivo.

Ensinar é instigar e orientar os alunos para que se apropriem de conhecimentos específicos de cada fase escolar para a "interiorização do saber sistematizado, historicamente acumulado"( LOPES, 1996:111).

Ensinar é criar condições para que os alunos desenvolvam as condições básicas de domínio das diversas linguagens, fundamentalmente a da escrita, de modo a poder sistematizar o conhecimento e expressar tanto suas dúvidas e incertezas quanto suas descobertas e criações. É, também, ajudá-los a desenvolver a reflexão, a saber fazer as perguntas certas e ir atrás das respostas adequadas

Em uma perspectiva sócio-inteacionista, é instrumentalizar os alunos para perceberem que já possuem um conhecimento que trazem de suas casas, para integrarem esse conhecimento com outro sistematizado na escola através de atos comunicativos com seus colegas e seus professores e para criarem novos conhecimentos individual ou coletivamente.

Ensinar, além de se caracterizar como uma atividade colaborativa entre professores e alunos, deve promover essa colaboração entre os próprios alunos, estimular o trabalho em equipe e proporcionar um espaço para que uns ensinem aos outros aquilo que dominam melhor. A investigação colaborativa propicia que os alunos se ajudem mutuamente na coleta e na análise de dados, e, na hora da interpretação, as vivências e as perspectivas individuais, podem produzir conclusões mais ricas.

Educadores, comunicadores, estudiosos mais atentos percebem que não se pode ter todo o conhecimento em sua área específica, e ainda mais, que esse conhecimento não é compartimentado, fragmentado em disciplinas estanques como a escola, em geral, continua a encarar.

É muito comum, no desenvolvimento da pesquisa durante os cursos de pós-graduação, depararrmo-nos com fontes e informações que podem interessar a nossos pares. À medida que encaminho essas descobertas a meus pares estou abrindo um caminho de volta de informações para a minha pesquisa. Para Dewey (apud Nassif:45), toda comunicação é educativa e o

"ser receptor de uma comunicação é ter uma experiência ampliada e alterada. Se se participa no que o outro pensou e sentiu, seja de modo restrito ou amplo, modifica-se a própria atitude. Da mesma forma, não deixa de ser afetado aquele que comunica".

Concordo com KENSKI (1996:135) que "para ser eficaz como ato comunicativo é preciso que ocorra na atividade didática uma relação interativa, uma união entre as partes, no nosso caso, professores e alunos", decorrendo daí a necessidade de discussão, reflexão, aprofundamento sobre um conteúdo significativo.

Assim, a comunicação educativa se faz cada vez mais necessária para que o trabalho colaborativo se instale. A colaboração permite um sem número de conexões no âmbito escolar constituindo uma experiência que pode ser transferida para outros ambientes em que o indivíduo vive. Para o trabalho colaborativo acontecer e essas conexões se tornarem significativas, há que se ter uma vivência da ação colaborativa, de participação ativa e de construção conjunta nos cursos de formação inicial e continuada de professores nas graduações específicas que os formam, como Pedagogia e as Licenciaturas e Institutos Superiores de Educação, no Ensino Médio, na modalidade Escola Normal (Magistério), nos projetos de Formação Continuada de Professores em serviço e nos cursos de Pós-Graduação. Ainda neste capítulo, há uma reflexão mais aprofundada do que vem a ser a colaboração, suas características fundamentais e sua importância na formação de ensinantes e aprendizes porque creio que essa formação precisa se desenvolver através de um trabalho individual e em grupo de reelaboração inovadora e de criação, incorporando o objeto de estudo nas mais diversas dimensões pessoais, como afirma MORAN em um dos textos encontrados em sua página na WWW ( rt ).

1.2.2 Aprender: a face da responsabilidade pessoal na educação



Aprender é construir "seus conhecimentos e sua afetividade na interação" com outros sujeitos e "por meio de influências recíprocas que vão estabelecendo cada sujeito constrói o seu conhecimento de mundo e o conhecimento de si mesmo como sujeito histórico" (LOPES, 1996:111).

Aprender significa ser capaz de reelaborar e reconstruir conhecimento através da formulação de questionamentos, de análise e síntese das descobertas. O indivíduo aprende é ao ser capaz de dialogar com o seu interlocutor, seja ele o professor, o livro, o jornal, o programa de TV, o vídeo ou a página da WWW. Dependendo do grau de escolaridade, aprender envolve saber questionar as verdades apresentadas, refletir, investigar suas dúvidas e elaborar nova síntese que lhe satisfaça a inquietação inicial.

Aprender significa ser capaz de pesquisar com olhos inquisidores, orientados por inquietações que tragam contribuições ao crescimento individual e coletivo. É um processo multifacetado e estimulante se interconectar diversas áreas do conhecimento mediadas pelas mídias impressa, audiovisual e digital em uma rede de relações interpessoais.

POSTMAN (1996:45) chama a atenção para o fato de só poder existir uma comunidade democrática e civilizada, se as pessoas que aí vivem, fazem-no de forma disciplinada como participantes de um grupo e que, portanto, precisam aprender a viver em grupo, onde as necessidades individuais estão subordinadas aos interesses do grupo. Aprender a conviver de forma colaborativa propicia o crescimento do grupo como um todo e, por conseguinte, o crescimento de cada um em particular.

Aprender implica na capacidade de construir significados, reconstruindo o passado e projetando o futuro. Se nós, professores, não temos muito claro, para nós mesmos, o que é o ensinar e o aprender e se não nos lançamos como navegadores nessa viagem estimulante, de volta ao nosso passado e nos projetamos para o futuro, como poderemos levar nossos alunos a empreender a viagem em busca do conhecimento, uma aventura que exige esforço, dedicação e que pode apresentar riscos e frustrações? Não são eles, jovens e adultos, seduzidos hoje pela mídia com "videogames" e viagens sedutoras embora alienantes?

Nós, professores, precisamos estar em constante aperfeiçoamento de nossa capacidade de reconstruir nosso conhecimento, de análise do nosso cotidiano, de questionamento da nossa prática individual e coletiva. Devemos estar alerta às constantes transformações que ocorrem no mundo para além das paredes da escola. Esse aperfeiçoamento e questionamento precisam ocorrer tanto no isolamento individual, quanto em equipes colaborativas que desenhem e realizem projetos conjuntos baseados na prática escolar. Não podemos ignorar a tecnologia que já está inserida no dia a dia do homem nesta sociedade tecnológica. Não podemos ignorar que temos uma história individual entrelaçada a uma história social.

Professores e alunos, precisamos praticar entre nós e com os outros o ato comunicativo, reconhecendo que esse ato é um ato de aprendizagem.

"... É preciso reconhecer que quero me comunicar, que quero trocar informações com alguém e que, nesta troca, vou me transformar, vou aprender" (KENSKI, 1996:135).

O desenvolvimento em equipe implica em saber trabalhar de forma interdisciplinar, de modo que a interdisciplinaridade fique colada como marca d’água na nossa didática e na nossa prática escolar.

A aprendizagem pode se dar através da linguagem, mas será mais completa e mais significativa se também ocorrer através da experiência, ainda que simulada. Aprender através da linguagem, via leitura dos mais diversos meios (texto impresso, vídeo, filmes, programas de rádio e de TV, programas de computador tutoriais ) ou via aulas ministradas por professores permite-nos uma leitura das idéias, dos pensamentos, das opiniões e dos conhecimentos de outras pessoas e de outras épocas assim como um confronto com as mesmas. Aprender através da linguagem implica em que se tenhamos um bom conhecimento da linguagem ou corremos o risco de não compreendermos o que "lemos" ou não sabermos "escrever" sobre o que "lemos" . A linguagem requer uma outra pessoa, a que observou, analisou, classificou, escreveu para podermos ler.

A aprendizagem por experiência nos coloca em contato direto com a realidade. Na escola, aprender por experiência ocorre nos laboratórios e, geralmente, tem a tecnologia como mediadora. Quanto maior a possibilidade de simulação maior a possibilidade o aluno tem de observar, de construir hipóteses e de testá-las para verificar se essas hipóteses estavam corretas. Aprender por experiência permite a manipulação da realidade, agindo e percebendo os resultados da nossa ação. Dessa forma, "podemos conhecer e compreender a realidade observando como ela responde às nossas ações" (Parisi, 1998, rt). É bastante raro podermos desenvolver esse tipo de aprendizagem na escola que privilegia o aprender pela linguagem escrita. Entretanto, se a escola tiver uma tecnologia que permita o uso de modelos simuladores que permitam que aquelas características obscurecidas pela linguagem escrita apareçam, as capacidades de abstração, de memória, de manipulação de símbolos e a habilidade lingüística serão complementadas pelo uso de outras capacidades como a de observar, reconhecer modelos, manipular, levantar e controlar hipóteses. Os alunos terão maior motivação para aprender e para estudar, pois com a experimentação e a simulação seguidas da reflexão estarão aprendendo mais do que apenas através da abstração. Em algumas situações estarão se divertindo, em outras estarão vivendo papéis diversos dos que vivem no seu cotidiano e, ainda, haverá situações em que serão desafiados a resolver problemas complexos.















Incorporar de forma inteligente a tecnologia significa adotar uma postura positiva e interdisciplinar em relação à tecnologia e trabalhar com elas como elementos emancipatórios na nossa prática pedagógica. Podemos aprender com essas tecnologias que a aprendizagem se dá no envolvimento integral do indivíduo, isto é,

"o emocional e o racional; a análise lógica e o lado do imaginário e do intuitivo; a imagem e o som; a açào, a presença, a conversa, a interação, o desafio, a exploração de possibilidades, o assumir de responsabilidades, o criar e o refletir juntos sobra a criação" (KENSKI,1996:146).











Autora: Iolanda Bueno de Camargo Cortelazzo.

Colaboração, Trabalho em equipe e as Tecnologias de Comunicação: Relações de Proximidade em Cursos de Pós-Graduação. Tese de Doutorado - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 2000.

Orientadora: Profa. Dra. Vani Moreira Kenski .

quinta-feira, 15 de abril de 2010

PAUTA DE HTPC


LEITURA EM VOZ ALTA - Sabedoria



Na antiga China, havia um velho sábio, professor, que gostava muito de conversar com crianças, com o objetivo de orientá-las para a vida. Ensinar, aconselhar, admoestar, sempre estimulando que aprendessem bons hábitos para falarem sempre a verdade.

Havia um grupo de garotos que gostava de fazer artes, enganar os outros etc.

Acontece que este velho sábio sempre adivinhava o que os meninos faziam de errado, através dos seus olhos, maneira de se comportar, etc.

Um certo dia, estas crianças prenderam um pássaro na mão e o levaram escondido ao velho. Combinaram entre si: vamos perguntar a ele, o que temos na mão. Se disser que é um pássaro, o que é certo que vai adivinhar, nós perguntamos a ele: está vivo ou morto? Se disser que está morto, nós soltamos o pássaro vivo. Se disser que está vivo, nós matamos o pássaro na mão e assim enganaremos o velho. Saíram todos gritando de alegria. Estava preparada mais uma arte dessa meninada.

Perguntaram ao velho: "Que temos na mão?"

O velho respondeu, olhando nos olhos das crianças: "Um pássaro".

Disseram: "Está vivo ou morto?"

O velho respondeu: "Depende de vocês!"

-DISCUSSÃO DO GRUPO PARA TURMAS DE PIC-3ª E 4ª SÉRIES

-MOMENTO PARA FAZER RELATÓRIO DOS ALUNOS QUE IRÃO PARA SALA DE PIC-(NO RELATÓRIO DEVE CONTER TUDO QUE JUSTIFIQUE A PERMANÊNCIA DO ALUNO NA MESMA SÉRIE)

-LER INFORMATIVO ABAIXO DO DIÁRIO OFICIAL DE 04 DE NOVEMBRO DE 2009,RESOLUÇÃO SE 80,DE 03/11/2009-COMPETÊNCIAS DO PROFESSOR-PARTE GERAL

-FAZER UM COMENTÁRIO SOBRE ESSE PERFIL ESPERADO DO PROFISSIONAL DE ENSINO DO ESTADO DE SÃO PAULO

-ENTREGA SONDAGEM 4º BIMESTRE DIA 30 DE NOVEMBRO

-ENTREGA DAS NOTAS DIA 02 DE DEZEMBRO
 PAUTA DE HTPC


Sensibilização



“Há um ditado chinês que diz que, se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando um pão, ao se encontrarem, eles trocam os pães: cada um vai embora com um. Porém, se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando uma idéia, ao se encontrarem, trocam as idéias; cada homem vai embora com duas. Quem sabe, é esse mesmo o sentido do nosso fazer: repartir idéias, para todos terem pão.”



(Cortella, 2001, p.159) - A Escola e o Conhecimento – fundamentos epistemológicos e políticos. 4ª ed., São Paulo: Cortez Editora





“Uma escola é uma organização social construída pelas interações das pessoas que dela fazem parte, orientadas pelos seus valores, crenças, mitos e rituais.”



Lück Heloisa, in Cultura Organizacional da Escola.



“EQUIPES ORGANIZADAS PARA QUE CADA UM CUMPRA A SUA FUNÇÃO,PARA QUE CADA UM CUBRA AS DIFICULDADES DOS OUTROS E PARA QUE CADA UM APOIE O OUTRO”

SEGUNDO SUPERVISORA ELIANA ,FALTA MOTIVAÇÃO DENTRO DAS ESCOLAS E QUEM NÃO ESTÁ CONTENTE DEVE VENDER AVON OU PRODUTOS JEQUITI!

DICAS

-NA RETOMADA DE EXERCICIOS DO SARESP ,O PROFESSOR NÃO DEVE TRABALHAR LISTA E SIM CADA EXERCICIO DE CADA VEZ JUNTO COM O ALUNO,PERCEBENDO OQUE O ALUNO NÃO SABE.

-FAZER RETOMADA DO GÊNERO “RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA VIVIDA”

ATIVIDADES

1-Na carteira do papai tem todas as cédulas e moedas da figura abaixo.





Ele foi, ao jornaleiro e gastou todas essas cédulas e moedas.quanto papai gastou no jornaleiro?assinale com um x .

(a) Oito reais

(b) Oito reais e cinqüenta centavos

(c) Nove reais

(d) Nove reais e cinqüenta centavos



2 -Leia o texto e responda à questão.

Chácara das Flores, 18 de fevereiro de 1978.

Meu filho João,

Evite morar em arranha céu,é o que lhe peço.Nem mesmo de graça .Seu tio me disse que são uns edifícios enormes, de uma altura descomunal. Você foi sempre meio sonâmbulo, eu fico aflita, tenho medo de você sonhar e atirar-se da janela pensando que está voando. Deus nos livre! Além disso, há o perigo do elevador, e se acontecer um incêndio como é que meu filhinho vai se salvar? Seu tio disse que quase não entra ar nesses apartamentos e que nenhum vizinho liga para outro vizinho, e se um procura o outro é para questionar. Não se esqueça, meu filho, de que gente de cidade grande é diferente de nós. Seu tio contou que lá a gente vê uma pessoa morta estendida na rua e nem olha, se você passar perto de algum falecido não se esqueça de rezar uma ave maria e acender uma vela. Enquanto você não arranja emprego, seu avô vai mandando um dinheirinho para as despesas, pois com a falência tudo ficou difícil para nós. O Armandinho me passou um susto dizendo que você tomou parte numa revolução. Depois ele mesmo me tirou do susto dizendo que era brinquedo. Deus me livre de saber que um filho meu pegou em armas contra alguém ou contra as instituições. A chácara vai ser vendida, com o dinheiro apurado seu pai está querendo comprar uma pequena olaria. As suas tias vão morar num pensionato aí e fazer costura. Desde que desapareceu o telegrafista, sua tia Marina só faz chorar, achando que ficou viúva. E não eram nem noivos! Ela espalhou retrato dele por toda a casa, até mesmo no corredor e no banheiro. Seja bom para elas e faça uma visitinha de vez em quando, pois, apesar de

tudo, elas gostam de você e precisam de carinho. Muito juízo, sim? Receba a minha bênção e de seu pai. Junto vai o retrato que tirei com seu pai como última lembrança da chácara.

Sua mãe.

Fonte: MACHADO, Aníbal. João Ternura. 4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. p. 95-96. (excerto)

Quais os argumentos que a mãe utiliza na carta para convencer o filho a não morar em

prédios de apartamento (arranha -céus)?

A) O filho ser sonâmbulo e a possibilidade de acontecer um incêndio.

B) A falta de solidariedade das pessoas e de dinheiro para pagar o aluguel.

C) O filho ser revolucionário e pegar em armas.

D) As tias irem morar em um pensionato e os cuidados com elas.



1-QUAIS CONHECIMENTOS EXIGIDOS DO ALUNO PARA QUE ELE POSSA REALIZAR ESSAS ATIVIDADES?
PAUTA DE HTPC


PC-CRISTIANE DE FREITAS

1-OBJETIVOS



-Formação;

- Reflexão das problematizações.

-AQUISIÇÃO DE COMPETÊNCIAS LEITORAS



2-LEITURA EM VOZ ALTA-Quem Tem Culpa no Cartório?

Mário Prata

Vender um carro não é tão difícil assim. O problema é que agora inventaram que a gente tem de ir ao cartório. Assinar lá aquele papelzinho e o sujeito reconhecer a firma da gente. Não adianta mandar ninguém. Tem de ser a gente.

Pois é. Vendi o meu carro e lá fui eu, na quarta passada, reconhecer a minha firma, palavra pomposa para a nossa humilde assinatura. Assinei na cara do sujeito e entreguei. Me pediu a carteira de identidade. Meu Deus, esqueci. Tento quebrar o galho.

— Sem a carteira de identidade não tem possibilidade.

— Meu amigo, está chovendo, foi uma luta estacionar o carro e...

— Impossível. O senhor não viu escrito ali?

Foi quando eu me lembrei do Estadão que estava debaixo do braço. Minha coluna, minha foto. Mostro para ele.

— Está vendo? Sou eu.

Olhou para a foto, olhou para mim.

— Reconheceu?

— É, reconheci. Mas, para reconhecer a firma, só com a identidade. É lei, olha a fila, meu senhor.

— Meu amigo, a carteira de identidade é para provar que eu sou eu, não é? Pois eu acabo de provar que eu sou eu. Ou não?

— Eu sei que o senhor é o senhor, mas não adianta. Olha a fila.

— Posso falar com o seu chefe?

— Não vai adiantar. É aquele. O de peruca. Seu Wilson.

Caminho na direção do seu Wilson. De longe, já começo a analisar a peruca dele. Peruca de homem, não sei por que, sempre me fascina. Me dá uma vontade quase incontrolável de arrancar, de fazer com que todo mundo em volta ria.

Vou olhando em volta. O cartório evoluiu muito. Agora está cheio de computadores. Tá "muderno". Numa mesa a Dulce, a Dudu e o Ferreira (gripadíssimo) dominam o computador para, logo em seguida, bater o carimbo. O carimbo! Céus, quando é que o burocrata vai livrar-se do carimbo? Fico olhando o trabalho da Dulce enquanto o da peruca atende uma senhora de laquê, muito nervosa. Conto: a Dulce bateu 93 vezes o carimbo em um minuto.

Isso é que é funcionária! Mais ou menos uma e meia carimbada por segundo. Está noiva, a Dulce.

Seu Wilson era inteirinho cinza. Ia do cinza claro do terno até o cinza escuro da olheira. Seu Wilson estava conversando com a de laquê, me olhando de lado. Chega a minha vez. Ele:

— Conheço o senhor de algum lugar. O senhor já não foi no programa do Jô?

— Meu nome é Mário Prata e...

— Claro, do Estadão. Reconheci o senhor assim que vi o senhor entrando. Qual é o problema, Marinho?

Odeio que me chamem de Marinho. Mas como havia sido reconhecido, tudo bem.

— É o seguinte, seu Wilson. Vim reconhecer a assinatura da venda do carro e não trouxe a carteira de identidade e...

— lh...

— Mas como o senhor me reconheceu, pode reconhecer também a minha assinatura.

— É, mas só que, pra reconhecer a assinatura, eu preciso da sua carteira de identidade. É uma questão legal.

— Legal, né?

Sentei.

— Seu Wilson, acompanhe o meu raciocínio.

— Pois não.

— O senhor precisa da minha carteira de identidade para ter certeza de que eu sou eu, não é isso?

— Exatamente, Marinho.

— Mário, por favor. Mário Alberto Campos de Morais Prata. Então, continuando, se o senhor sabe que eu sou eu, acho que a gente podia deixar a carteira de identidade pra lá.

— Veja, Mário Alberto (piorou!), quando o decreto saiu no Diário Oficial...

— Tudo bem, tudo bem. Mas me diga, seu Wilson: quem sou eu (aliás uma pergunta que me tenho feito muito: quem sou eu)?

— O senhor é o Mário Prata.

— O senhor reconhece isso?

— O senhor está querendo me pegar, não é? Olha, Campos, agora não posso mais. O meu funcionário, entende? Eu não posso passar por cima dele, tirar a autoridade dele. Se o senhor tivesse me procurado antes, aí sim, talvez...

Fiquei me segurando para não arrancar a peruca dele e colocar fogo. Estava com o isqueiro aceso. Acendi o cigarro, pensei no meu avô Mario que tinha cartório em Uberaba. Pensei em Jesus pensando nos pobres de espírito, pensei no Brasil, pensei na mãe do seu Wilson, pensei que eu não era mais eu.

Liguei para a Isabela, que ia comprar o meu carro.

— Isabela, desisti. Descobri que eu não existo, Isabela.

E fui para o divã do dr. Leonardo Ramos, que tem de carimbar a receita para que eu possa comprar Lexotan.

3-TEXTO- COMPETÊNCIA LEITORA

Heloisa Amaral



As práticas de leituras escolares são cruciais para o desenvolvimento da competência leitora dos alunos. Como essa competência é fundamental para o exercício da cidadania, esse assunto têm sido tema de inúmeras pesquisas em todos os países. As diferentes abordagens dessas pesquisas são decorrentes das diferentes formas de compreender a língua, de diferentes modos de compreender a relação ensino/aprendizagem e das muitas interpretações das razões do fracasso de tantos alunos diante da leitura.

Esta última razão tem sido o motivo de muitas pesquisas sobre leitura em países desenvolvidos, por exemplo (1) . Em alguns desses países observa-se que pessoas que têm muitos anos de escolarização não se tornam leitoras de gêneros textuais provenientes de esferas não escolares de produção de linguagem. Dizendo de outra maneira, esses países têm constatado que trabalhar exclusivamente com leitura de gêneros escolares (como os textos especialmente produzidos ou adaptados para os livros didáticos), não é suficiente para desenvolver competência leitora ampla que permita aos indivíduos lerem com facilidade textos jornalísticos ou outros que têm ampla circulação social. Ao mesmo tempo, muitas dessas pesquisas concluíram que também é de fundamental importância o desenvolvimento de atividades escolares voltadas para a competência leitora.

Em relação às pesquisas que partem de diferentes concepções de língua, podemos encontrar posturas bastante radicais. Aqueles que pensam a língua como código, exclusivamente, podem conduzir suas pesquisas para mostrar resultados ligados apenas com a falta de adequação dos trabalhos escolares como momentos de aquisição da base alfabética. Outros, que pensam a língua como texto ou discurso, podem assumir posições radicais em relação à práticas de aquisição da base alfabética, deixando-as em último plano. Todos sabemos que posições radicais podem ser muito envolventes, porque parecem mostrar que há um único caminho certo para chegar às finalidades que se almeja atingir. Também sabemos que a história da educação mostra que a adoção de práticas inspiradas em posições radicais sobre ensino de leitura e escrita têm conduzido a equívocos pedagógicos com resultados catastróficos, especialmente quando se trata de políticas públicas que atingem milhões de alunos.

Atualmente, a tendência das pesquisas mais avançadas é considerar que as práticas de ensino de leitura e escrita devem contemplar as diferentes características da língua. Essa visão permite uma radiografia mais completa das dificuldades apresentadas pelos alunos que são submetidos a práticas escolares de ensino de leitura mais unilaterais. Um exemplo de abordagem da língua como objeto de ensino complexo, multifacetado, está nas pesquisas de Rojo (2) e Kleiman (3) . Para ambas, a competência leitora tem maiores chances de ser desenvolvida quando se consideram os múltiplos aspectos que a língua contém enquanto objeto de ensino. De um modo geral, de acordo com pesquisas dessa mesma vertente teórica, é possível considerar práticas que desenvolvem competência leitora ampla aquelas que consideram os aspectos de código, de sistema e de discurso que a língua contém. Tais abordagens encontram respaldo nas políticas atuais do governo federal (4) e estaduais. Resumidamente, vejamos algumas das competências menores incluídas na competência leitora mais ampla.

1) São, entre outras, competências adquiridas a partir da apropriação, pelos alunos, dos aspectos de código da língua:

a. Compreender diferenças entre escrita e outras formas gráficas (números, desenhos, notações musicais, etc.).

Conhecer o alfabeto.

Dominar as relações entre grafemas e fonemas;

Saber decodificar palavras e textos escritos.

2) São, entre outras, competências que permitem a compreensão de textos, de acordo com os PCNs:

a. Ativação de conhecimentos de mundo (para compreender o que lê, o leitor precisa buscar referências em seu conhecimento de mundo: quanto mais amplo ele for, mais o leitor compreenderá o que lê).

Antecipação de conteúdos ou propriedades dos textos (o leitor, neste caso, busca referências em conhecimentos anteriormente reunidos; é o caso de crianças muito pequenas que lêem sem decifrar rótulos de produtos, p.ex.)

Localização de informações (essa capacidade foi uma das que as crianças avaliadas pelos testes padronizados demonstraram possuir).

Checagem de hipóteses (o leitor, enquanto lê, levanta e checa hipóteses; por exemplo, ao ler uma manchete de jornal rapidamente, pode entender que está escrito “os presos dos peixes subiram”, o que não faz sentido para ele. Retomando a leitura, verifica que sua hipótese estava errada e que a manchete diz “os preços dos peixes subiram”, o que faz sentido para quem lê).

3) Há competências que estão ligadas aos aspectos discursivos da língua e são competências que definem o perfil do leitor crítico. Esses aspectos estão diretamente relacionados com a situação de comunicação onde o texto foi produzido e respondem a questões como quem é o autor; que papel social ele exercia no momento que escreveu; que pontos de vista assumiu ao escrever; que veículo ou suporte contém o texto; como e onde esse veículo circulará; que finalidade tem o texto, etc.

a. A leitura crítica supõe um diálogo do leitor com aquilo que lê, valorando o que lê de acordo com seus critérios próprios de valor. Um leitor crítico tem pontos de vista pessoais e pode concordar com o autor que lê ou pode discordar dele, desvalorizando suas propostas.

A situação em que o leitor se encontra influencia esse diálogo com o autor: ler para se divertir, ler para obter uma informação, ler para estudar, ler para atualizar-se.

O leitor crítico é capaz de estabelecer relações com outros textos, anteriormente lidos, seja aqueles a que o texto procura responder, seja outros escritos posteriormente e que procuram dar respostas ao texto lido.

4- ATIVIDADES

-O QUÊ SIGNIFICA LER PRA VOCÊ?

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5-O QUÊ SIGNIFICA LER ,NA SUA OPINIÃO ,PARA SEUS ALUNOS?

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